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https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/09/internet-aberta-vai-acabar-e-twitter-corre-risco-se-projeto-de-lei-passar-diz-executivo-da-rede-social.shtml

O Twitter vê a atual versão do projeto de Lei sobre Fake News que tramita na Câmara como ameaça à competição no mercado das redes sociais e à internet aberta.

Fernando Gallo, gerente de políticas públicas do Twitter, diz ao Painel que o projeto de lei prevê obrigações que implicam em custos que podem ser absorvidos por organizações grandes, mas impactariam desproporcionalmente as médias, como o Twitter.

A concorrência, a inovação e a liberdade dos usuários estariam em xeque, diz.

"Nós agimos muito rápido para ter uma política em vigor para fazer frente ao tema da Covid-19. Nesse caso, antes que se completasse uma semana depois que a OMS decretou a pandemia a gente já tinha uma política em vigor, o que nos permitiu fazer frente a determinados comportamentos dentro da plataforma. Removemos milhares de tuítes, desafiamos milhões de contas que pudessem eventualmente estar tentando distorcer a conversa no Twitter. Fizemos algumas atualizações nessa política e a gente vai aprendendo. À medida que o mundo vai mudando a gente vai atualizando as nossas políticas de controle. Temos parceiros na área da liberdade de expressão, de segurança na internet. O Twitter tem um conselho desde 2016 de confiança e segurança por meio do qual a gente atualiza nossos parceiros que são acadêmicos, entidades e organizações que militam na área da liberdade de expressão, na área de direitos humanos, diversos grupos, inclusive no Brasil. A gente conversa com muita gente para tomar decisão. E a gente olha para a conversa que está acontecendo dentro do Twitter também."

"Nós temos nos esforçado cada vez mais para promover conversas saudáveis na plataforma, seja pela atualização e revisão das regras, seja para dar mais contexto para as pessoas, seja implementando mais ferramentas para que as pessoas possam controlar mais sua experiência. Toda decisão tomada no Twitter impacta o debate público. Nosso objetivo é que seja de maneira positiva. A gente vai aprendendo e evoluindo."

"Estamos usando cada vez mais tecnologias para identificar conteúdos abusivos na plataforma. Dois anos atrás, 0% do conteúdo que a gente sancionava por causa de abuso era sancionado por meio de tecnologia. Hoje, esse número é de um pouco mais de 50%. Hoje, usamos tecnologia para detectar comportamentos suspeitos e dando transparência para as nossas medidas."

"Tem algumas formas pelas quais a gente precisa olhar para potenciais regulações. É preciso olhar para os princípios que ela está defendendo, mas é preciso olhar para as externalidades que elas podem gerar. Não houve um país civilizado, democrático, que tenha aprovado qualquer tipo de regulamentação em termos de notícias falsas. Acho importante olhar para a experiência internacional. Infelizmente a gente está em um momento em que o Congresso não funciona a pleno, o projeto de lei de autoria dos deputados Felipe Rigoni (PSB) e Tabata Amaral (PDT) e do senador Alessandro Vieira (Cidadania) não tramitou por comissões no Senado, ele não foi objeto de audiência pública ou consulta pública no Senado, teve tramitação acelerada. O Brasil tem uma tradição... Se você olhar para a Lei Geral de Proteção de Dados e para o Marco Civil da Internet, que são duas legislações com as quais o Twitter se engajou e entende que são avançadas, são legislações que foram objeto de amplo debate no parlamento e tiveram muito tempo para amadurecer. O texto do PL, da forma como veio do Senado, causa uma série de prejuízos e riscos a direitos fundamentais das pessoas, como liberdade de expressão, proteção de dados, privacidade, acesso à informação, incorre em externalidades de exclusão digital problemáticas para o desenvolvimento econômico".

"A internet, como ela foi idealizada, foi idealizada para ser uma internet aberta, e é preciso olhar para o tema regulatório também tendo em vista as consequências que a regulação pode ter sobre a competição, para que a gente evite entrincheirar os maiores atores, as maiores empresas, em uma posição de ainda maior dominância. Para isso, você precisa proteger a competição. Se a regulação servir para cimentar a posição das maiores empresas, isso vai impactar de maneira irreparável a maneira como a gente conhece a internet hoje. Vai impactar a inovação e a escolha dos consumidores. Uma competição robusta e garantir que a gente tenha um jogo justo é essencial. Isso deveria ser de preocupação dos reguladores e da sociedade civil."

"Imagine uma regulação que coloque uma série de obrigações às empresas pequenas e médias, como o Twitter, seja do ponto de vista do desenvolvimento do produto, que impliquem em uma série de mudanças em processos, por exemplo. Isso tem custos. Esses custos podem ser absorvidos por empresas maiores, mas podem impactar de maneira desproporcional empresas pequenas e médias. Podem impactar a capacidade dessas empresas crescerem nos seus negócios. Por isso a gente tem que olhar para as externalidades que uma regulação pode ter. A gente entende que os parlamentares sabem a importância da competição, mas esse é um debate que o Twitter quer fazer com mais frequência, por tudo que estamos vendo no Brasil e no mundo, e vamos começar a chamar cada vez mais a atenção para o tema da importância da competição. Que, no limite, tem a ver com preservar a internet aberta como ela existe hoje. E como ela foi pensada. E que ela não se torne um local de apenas espaços entrincheirados".

"Tem um PL sobre desinformação que está colocado. Outros a gente sabe que são apresentados no Congresso e impactam as plataformas. O projeto de lei de fake news ainda precisa ter um relator nomeado, um novo texto vai ser apresentado, esse relator certamente colherá os insumos e os resultados dos debates nas audiências públicas. A gente teve um pouco mais de debate na Câmara do que teve no Senado. E a gente entende que esse debate pode amadurecer e que a gente chegue a um texto que seja minimamente consensual entre legisladores, plataformas e sociedade civil. Quero crer que todo esse debate que está se dando vai fortalecer e melhorar esse texto e eventualmente outros."

"As pessoas costumam se referir às plataformas, mas cada empresa tem valores diferentes, cada plataforma tem arquiteturas diferentes, cada empresa tem tamanhos diferentes. O Twitter é uma empresa média. Há quem se refira ao Twitter como gigante da tecnologia, mas se você for olhar para o Twitter sob diversas perspectivas, você verá que o Twitter é uma empresa média. Tanto assim que, por exemplo, não está envolvido em debates regulatórios anticompetitividade, por exemplo. Estou chamando atenção para o impacto que empresas pequenas e médias, como o Twitter, podem ter".

"Temos um trabalho em desenvolvimento já olhando para a eleição. Estamos falando de temas como desinformação, robôs. Uma série de assuntos que a gente sabe que são de interesse público nos quais a gente vem trabalhando historicamente. A gente sabe que períodos eleitorais são momentos fundamentais das democracias e por isso a gente reforça as nossas equipes e os recursos dedicados a cobrir essas eleições. Mas nosso esforço para promover uma conversa saudável na plataforma deve ir além de eventos específicos. Como a gente está olhando para a eleição no Brasil e como está aplicando isso à eleição no Brasil ? Combatendo proativamente e agressivamente todo e qualquer tipo de automação maliciosa e outros tipos de manipulação de plataforma. Desenvolvendo políticas, como a nossa política de mídia sintética e manipulada que a gente lançou em março também para o período eleitoral. Com algumas intervenções de produto ajudando as pessoas a encontrar informação de qualidade, seja na sua página inicial, seja na busca em alguns espaços no Twitter. Apoiando iniciativas de checagem de fatos".

"Historicamente, o Twitter tem sido utilizado por movimentos de diversos matizes para endereçar as suas mensagens dentro da plataforma. Veja, por exemplo, um movimento da sociedade civil organizada, o Black Lives Matter, que a gente vê acontecer no Twitter já há alguns anos. Ou o #MeToo, que teve e tem forte repercussão no Twitter. O Twitter é uma praça de debate público, até por sua natureza pública. Agora, não nos cabe uma avaliação sobre a atuação de perfis específicos. O que a gente pode dizer é que a gente tem regras sobre os comportamentos que são permitidos na plataforma ou não. Todo mundo que adere aos serviços do Twitter está sujeito às mesmas regras. Enquanto se mantiverem dentro dessas regras, são livres para continuar tuitando".

 

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E.R
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https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/as-big-techs-sao-de-esquerda/

O conglomerado de empresas que se convencionou chamar de “Big Techs” está longe de atender aos requisitos de Karl Marx.

Tome-se por exemplo o quinteto de corporações envolvidas no imbróglio recente do bloqueio ao acesso às redes sociais de conservadores : Facebook, Apple, Twitter, Google e Amazon.

Juntos, Mark Zuckerberg, Tim Cook, Jack Dorsey, Sundar Pichai e Jeff Bezos, comandam um império que vale 3,1 trilhões de dólares, repartidos entre centenas de milhares de acionistas entre os quais, é claro, estão os CEO - devidamente integrados à lista de bilionários da Forbes.

Ocorre que, há muito tempo, ser “de esquerda” não necessariamente implica em um compromisso concreto com os mais pobres. Vale ressaltar o que o vocabulário americano entende por “liberal”: um termo guarda-chuva que, hoje, engloba os que são simpáticos às causas identitárias - a luta contra o racismo através do apoio a movimentos como o Black Lives Matter, a promoção da agenda LGBT e a legalização do aborto, por exemplo.

O termo “liberal” nasceu como sinônimo da promoção das “liberdades individuais” frente ao que os costumes em voga consideravam moralmente aceitável e, é claro, especialmente no caso do racismo e dos casos concretos de discriminação contra o público LGBT, prestou sua contribuição ao debate público.

Ocorre que, diante da emergência de uma esquerda cada vez mais aliadas a estas pautas, e menos às reformas que, em tese, beneficiariam os mais pobres (independentemente de raça, sexo ou orientação sexual), o termo “liberal”, nos Estados Unidos, deixou de englobar, por exemplo, libertários e “liberais econômicos”, para referir-se a quem advoga por uma maior interferência do Estado na vida do cidadão, seja para corrigir distorções baseadas na identidade do indivíduo ou de classe social (ainda que esta vertente não esteja tão em voga).

Desde meados de 2016, quando as Big Techs foram ameaçadas, pela primeira vez, de interferir no processo eleitoral americano, por conta do escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analítica, especula-se qual é, afinal, o “norte ideológico” que orienta o seleto time de empreendedores que domina o mercado das comunicações (cujos ovos de ouro são os dados dos usuários).

O debate se intensificou com os constantes relatos de remoção de conteúdo, quase sempre ligados à ala conservadora, que, segundo seus criadores, não se enquadrava nas categorias vedadas pela lei : incitação à violência, calúnia e ameaça.

Por diversas vezes, Mark Zuckerberg e outros nomes de peso compareceram ao Congresso Americano para defender sua atuação; um debate que sempre se deu em torno dos limites da Seção 230 da Lei de Telecomunicações, segundo a qual pessoas ou empresas que se limitem a transmitir conteúdo de terceiros na internet não podem ser responsabilizadas legalmente pelo que ali for publicado.

Apesar de afirmar categoricamente que a empresa não faz curadoria de conteúdo para preservar a “liberdade de expressão” dos usuários, Jack Dorsey, o fundador do Twitter, já admitiu ser mais à esquerda e disse que empregados com pensamento mais conservador podem não se sentir à vontade para expressar suas ideias em sua empresa.

Um estudo feito pela Universidade de Stanford em 2017 mostrou que Jack Dorsey não é exceção. Conduzida pelos professores de Economia Política David E. Brookman e Neil Malhotra, a pesquisa entrevistou mais de 600 empresários do Vale do Silício — entre eles, alguns dos grandes nomes destacados no começo deste texto — e chegou a conclusões relevantes.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os empreendedores de tecnologia são bastante “liberais”, e são “alguns dos democratas mais esquerdistas que você pode encontrar”, como classificou o New York Times, em reportagem sobre o tema.

“As elites de tecnologia dos Estados Unidos são mais hostis à regulamentação das empresas de tecnologia e do mercado de trabalho do que os democratas. (...) Ideologicamente, as elites tecnológicas são mais propensas a acreditar nos benefícios dos mercados livres. Da mesma forma, eles são mais propensos a creditar os empresários pelo sucesso do país (...). Por último, eles têm um interesse próprio em menos regulamentação de seu setor”, diz o texto.

Ainda assim, a tendência à esquerda pode esbarrar na economia: “ (...) as elites de tecnologia apoiam mais a redistribuição e, especialmente, a taxação do que os eleitores republicanos; isso é parte da razão pela qual não esperamos que eles se tornem um eleitorado republicano central. No entanto, eles apóiam menos os programas administrados pelo governo e preferem que o governo financie programas administrados pelo setor privado. Isso os coloca em conflito com os constituintes democratas centrais”.

O Vale do Silício também é simpático às causas das minorias e não são avessos à ajuda governamental a estes grupos.

Por fim, os pesquisadores de Stanford concluem que os magnatas da tecnologia são  “socialmente liberais porque não são autoritários”. “Essas preferências não são libertárias; (...) eles normalmente se alinham com o Partido Democrata. (...) No entanto, diferem de muitos democratas em várias áreas importantes : são mais hostis à regulamentação dos mercados de trabalho e da administração governamental de programas sociais; eles são fortes defensores das políticas neoliberais; e podem querer mover o Partido Democrata ainda mais para a esquerda nas questões sociais. Como resultado, o cenário está armado para um grande desacordo entre a elite tecnológica e os principais constituintes democratas”.

Nos últimos anos,  a crescente influência de figuras como a própria vice-presidente eleita Kamala Harris no Partido Democrata mostra que, sim, o partido se moveu à esquerda nas questões sociais. Some-se a isto o fato de que, nas eleições de 2018, as Big Techs, juntas, doaram pelo menos 64,62 milhões de dólares para a campanha do presidente eleito Joe Biden e outras campanhas democratas (estão inclusas neste pacote o grupo Alphabet, ao qual pertence o Google, e a Netflix).

Enquanto isso, uma pesquisa do Pew Research Center realizada em junho do ano passado descobriu que cerca de três quartos dos adultos americanos afirmam que é muito (37%) ou um pouco (36%) provável que os sites de mídia social censurem intencionalmente os pontos de vista políticos que consideram questionáveis.

Segundo a pesquisa, a maioria em ambos os grandes partidos acredita que a censura está ocorrendo, mas essa crença é especialmente comum — e crescente — entre os republicanos. Nove em cada dez republicanos e independentes que se inclinam para o Partido Republicano dizem que é pelo menos um pouco provável que as plataformas de mídia social censurem os pontos de vista políticos que consideram questionáveis

Para não se submeter às leis nacionais de regulamentação sobre o discurso, Jack Dorsey insiste que não faz a curadoria de conteúdo e que o banimento de Donald Trump precisamente neste janeiro de 2021 se justifica pelo endosso do presidente aos invasores do Capitólio.

Entretanto, vale ressaltar que o patrimônio do dono do Twitter, triplicou durante o governo Donald Trump, mais do que quase qualquer bilionário no país. Durante seu mandato, o presidente foi uma verdadeira “máquina de manchetes” para a rede, criando notícias ao censurar seus críticos e demitir membros de seu gabinete, tudo pelo seu perfil. Em outubro, a então candidata Kamala Harris escreveu uma carta a Jack Dorsey pedindo que ele suspendesse a conta de Trump e nada aconteceu - até a última segunda-feira.

Outra pesquisa recente acrescenta uma nuance à situação: de acordo com uma pesquisa feita pelo portal POLITICO (ainda que de viés mais progressista), influenciadores e meios de comunicação conservadores e outros apoiadores do Partido Republicano dominaram as discussões online acerca de duas das questões mais quentes da eleição : a suposta fraude eleitoral e o movimento Black Lives Matter, de acordo com uma análise de postagens do Facebook, Instagram e Twitter.

Some-se a isto o fato de a rede de Jack Dorsey ter perdido 5 bilhões de dólares em valor de mercado após o banimento de Donald Trump.

Situação semelhante aconteceu com o Parler, rede conservadora que já foi alvo de investigações e permaneceu incólume nos mecanismos de busca e download de aplicativos da Amazon e do Google até semana passada (cabe ressaltar, inclusive, que o YouTube já foi alvo deste tipo de processo e nunca foi retirado do ar).

Em compensação pelos ganhos exorbitantes e como justificativa para banimentos arbitrários com base no que se convencionou chamar de “discurso de ódio” (não porque estes não existam, mas porque há piores intactos nas plataformas), as Big Techs dizem estar comprometidas com a justiça social.

Entretanto, um levantamento feito pelo portal americano The Verge questiona essa propaganda. "Apesar de uma pandemia que deixou milhões de pessoas sem empregos e forçou muitas grandes marcas a pedir falência, a maioria das grandes empresas de tecnologia está se saindo melhor do que nunca. (...) O dinheiro que eles prometeram [para campanhas de justiça social], no contexto, parece muito com alguns trocados”, diz o texto.

A publicação esmiúça o caso da Apple, que anunciou uma “Iniciativa de Equidade e Justiça Racial” no valor de 100 milhões de dólares. “Isso é uma grande soma, mas talvez não quando você considera a escala da Apple. A Apple é agora a empresa mais valiosa do mundo, tirando a coroa da empresa estatal de petróleo da Arábia Saudita, Saudi Aramco, em 31 de julho. Em média, a Apple teve lucro de US$ 6,3 milhões a cada hora no ano passado. Teoricamente, a empresa poderia ter recuperado todos os seus cem milhões de dólares no mesmo dia em que anunciou a iniciativa”, atesta o levantamento.

Segundo a pesquisa de Stanford e de acordo com as próprias declarações de alguns destes figurões, os donos das Big Techs se dizem favoráveis à redistribuição de renda e à promoção da justiça social com base em critérios de identidade (embora gastem pouco com isso, na prática). Aceitam até que lhe aumentem os impostos.

Ao que parece, só não toleram concorrência ou dar explicações sobre o que sai ou não do ar. O jornalista Glenn Greenwald, notório militante de esquerda, está entre os que denunciam o oligopólio das redes sociais, fruto de seu casamento bem-sucedido com Wall Street, as elites detentoras do capital e, atualmente, com o Partido Democrata.

“A Amazon, por exemplo, é um dos parceiros mais lucrativos da CIA, com um contrato de US$ 600 milhões para fornecer serviços à agência (...) No Facebook e no Twitter, encontram-se relatos oficiais dos regimes mais repressivos e violentos do planeta, incluindo a Arábia Saudita, e páginas dedicadas à propaganda em nome do regime egípcio. Alguém acha que esses gigantes da tecnologia têm uma preocupação genuína com a violência e o extremismo ? Então, por que os políticos e jornalistas democratas se concentraram no Parler em vez de no Facebook e no YouTube ? Por que Amazon, Google e Apple fizeram uma demonstração extravagante de remover o Parler da internet enquanto deixavam plataformas muito maiores com muito mais extremismo e defesa da violência fluindo diariamente ?”, escreveu Glenn Greenwald, em seu portal oficial.

“Em parte porque esses gigantes do Vale do Silício — Google, Facebook, Amazon, Apple — doam enormes somas de dinheiro ao Partido Democrata e seus líderes, então é claro que os democratas os aplaudirão em vez de pedir punição ou sua remoção da internet. Parte disso se deve ao fato de Parler ser um novato, um alvo muito mais fácil de tentar destruir do que o Facebook ou o Google. E em parte porque os democratas estão prestes a controlar o Poder Executivo e as duas casas do Congresso, deixando os gigantes do Vale do Silício ansiosos para agradá-los silenciando seus adversários”, responde o próprio jornalista.

De volta à pergunta inicial : para responder se as Big Techs são de esquerda, pode-se falar em capitalismo de Estado ou de compadrio; pode-se falar em “marxismo cultural” (como a transferência da luta de classes para aspectos identitários) ou na boa e velha revolta das elites, prevista pelo cientista político americano Christopher Lasch e esmiuçada pelo professor da Universidade de Notre Dame, Patrick Deneen.

“Desde o princípio, o liberalismo prometeu uma nova aristocracia composta dos que prosperariam com a libertação dos indivíduos de sua história, da tradição e da cultura, e com a demolição ou o desgaste dos apoios institucionais que foram redefinidos como limites ou obstáculos para a liberdade. Contribui para a desvantagem deles a remoção geográfica de uma elite social e econômica para umas poucas áreas concentradas, levando para longe aqueles em que outras épocas poderiam ter feito trabalho filantrópico na região e contribuído para a construção da sociedade civil local”, escreve Patrick Deneen.

Para afirmar que os donos das Big Techs são, nos moldes pós-modernos, “de esquerda”, há que se levar em conta que, no lugar da revolução popular, o que se vê é um casamento bem sucedido entre detentores de meios de produção de elite financeira e um Estado dominado pela elite financeira.

Acima de qualquer ideologia, as Big Techs professam a religião do dinheiro, cujos sumo-sacerdotes, hoje, professam o credo da justiça social. Em nome do lucro, os magnatas dizem "amém".

 

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