A seleção está me lembrando o SBT: vivendo do saudosismo do passado enquanto vai ficando cada vez mais para trás. Até a bagunça do último ciclo parece com as decisões atrapalhadas da família Abravanel depois da morte do Silvio. A pressa por resultados e a troca de nomes sem dar tempo de trabalho. Buscam soluções antigas pensando que podem fazer a diferença (Neymar/Fraga) e testam opções novas que a gente não sabe bem o que esperar, e no fim ficaram devendo (Virgínia/Igor Thiago). Brincadeiras à parte (mas com um fundo de verdade), a seleção precisa olhar para frente se quiser voltar a ser grande. Não dá pra ficar vivendo de passado. Apresentações como aquela na convocação para a Copa só evocam uma época de glórias que fica cada vez mais distante. É bom relembrar sim, mas não pode ser toda competição a mesma coisa. A postura deveria ser de acordo com o lugar em que se está agora, e isso não é se apequenar, mas ser consciente. Para que quando um jogador adversário responda sinceramente que prefere enfrentar o Brasil do que outro país, isso não seja motivo de revolta por causa das 5 estrelas, mas sim pela força que a equipe tem no momento dessa fala. Ou seja, que a revolta seja "você está errado porque nosso time é melhor e vamos te provar" e não "você está errado porque somos pentacampeões e você não". Enfim, acho que falta sobriedade. Meu time, o São Paulo, é um exemplo do mal que faz ficar preso ao passado. Se orgulhou tanto de ser o primeiro clube a ser hexa, brigou pela taça das bolinhas etc., depois passou anos de seca, sem ganhar um mísero título, e foi ultrapassado pelos rivais. O soberano hoje não está nem entre os 4 primeiros maiores campeões nacionais. Sorte do Brasil que a Copa é de 4 em 4 anos. Espero que deixem o Ancelotti mais um pouco, vamos ver o que ele tem a oferecer pegando um ciclo no início. É melhor do que trocar de técnico a torto e a direito porque, assim como a grade voadora do SBT, pode ter funcionado lá atrás, como em 2002, mas na maioria das vezes vai mais atrapalhar do que ajudar.