A inflação de 56,08 % no custo do transporte por aplicativo ao longo do ano passado, anunciada pelo IBGE, tem gerado queixas por parte de motoristas de plataformas como Uber e 99. Segundo profissionais e lideranças da categoria ouvidos pela reportagem, a alta nos preços para os passageiros não estaria se refletindo no aumento da remuneração para os condutores. "Em setembro de 2024, o valor médio do quilômetro era de R$ 3,28. Em setembro de 2025, foi de R$ 3,38. Você vê que foi bem parecido", explica um motorista do Rio de Janeiro das categorias mais sofisticadas da Uber, enviando à coluna recibos dos pagamentos. "Ou seja: eles aumentaram para o passageiro o valor da corrida, mas esqueceram de repassar para a gente", complementa. O considerável salto nos valores cobrados dos clientes finais pelos apps no Brasil consolida uma nova fase deste mercado, baseada no aumento da rentabilidade das plataformas. Sairam de cena as "promoções" oferecidas tanto a passageiros quanto a trabalhadores — subsídios bancados por fundos de capital de risco que, por vários anos, promoveram a acelerada expansão dessas empresas em todo o mundo, às custas da própria lucratividade das operações. Os aplicativos têm apostado no refinamento de seus algoritmos, precificando as tarifas não apenas em função do tempo e do percurso das corridas. Condições meteorológicas e nível de demanda pelo serviço são alguns dos fatores que influenciam na definição dos valores. Fonte : https://economia.uol.com.br/colunas/carlos-juliano-barros/2026/01/20/alta-de-56-em-viagens-mostra-apps-em-busca-de-lucro-motoristas-reclamam.htm
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