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De volta para o passado

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(Foto: cena do filme "Looper"/Divulgação)

Adoraria que fosse possível viajar no tempo e voltar para épocas anteriores de minha vida.
Ingenuamente, imagino que, em vários momentos do passado, eu teria me beneficiado de algo que sei só agora. Quem melhor do que eu aos 50 ou 60 anos para aconselhar uma versão mais jovem de mim, a de dez, 20, 30 anos atrás?
Hoje, enfim, meço as consequências de algumas escolhas antigas. Sei (ou imagino) que teria sido melhor me separar logo daquela pessoa e nunca me afastar de outra, que era insubstituível e que eu perdi; sei (ou imagino) que poderia ter evitado riscos inúteis e me exposto a outros dos quais fugi; sei (ou imagino) que deveria ter insistido quando desisti e desistido quando insisti. E, para quem pode viajar no tempo, nunca é tarde para salvar Inês.
Voltar ao passado para nos dar conselhos em momentos cruciais parece ser uma maneira racional de endireitar nossa vida, a única que leve em conta as consequências confirmadas de nossos atos.
Mas um ditado italiano ("del senno di poi son piene le fosse" --da sabedoria do depois as valas estão cheias) sugere que esse saber das consequências, além de chegar atrasado, talvez seja inútil.
Concordo: as escolhas da gente são quase sempre as melhores, se não as únicas possíveis na hora em que tivemos que decidir. E os remorsos são quase sempre fajutos: quando reavaliamos e censuramos nossas decisões passadas à luz de suas consequências presentes, estamos esquecendo as razões que nos fizeram decidir naquele momento e naquelas circunstâncias. Mesmo assim, a vontade é grande de voltar atrás e alterar o passado.
Quando era mais jovem, depois de qualquer crise (embate, briga, acidente), revivia mil vezes o que acabava de acontecer, corrigindo ou aperfeiçoando imaginariamente minha reação (o que eu "deveria ter feito").
Hoje, mais velho, quando volto a lugares do passado, sempre os encontro assombrados, como se minha história ainda estivesse por lá, suspensa, na espera de uma solução alternativa à que se realizou na época.
Me dei conta disso quando, pela primeira vez, morreu alguém que tinha sido minha companheira. O luto foi violento, igual ao que seria se minha história com ela nunca tivesse acabado.
Como podia ser? Se passaram tantos anos sem eu pensar nela... Por que esta dor agora? Era como se, com a morte dela, acabassem as chances de dar àquela história um desfecho outro, como se só com a morte dela o passado se tornasse realmente passado.
Seja como for, por ser um fã das viagens no tempo, não podia perder "Looper - Assassinos do Futuro", de Rian Johnson, que estreou na sexta passada. No filme, daqui a 30 anos, as viagens no tempo serão possíveis e proibidas. A máfia instalará seus assassinos, os "loopers", no passado (ou seja, numa época mais permissiva); e para esses assassinos ela despachará as pessoas que deseja eliminar, para que sejam mortas.
Um dia, um assassino descobre que o condenado, que ele recebe do futuro, é a versão mais velha dele mesmo. Será que o jovem "looper" vai querer poupar sua própria vida? Não é óbvio: afinal, matar a nós mesmos daqui a 30 anos é parecido com fumar e comer toucinho.
Esse cara, 30 anos mais velho do que eu, será que ainda sou eu? E será que alguém aos 20 ou aos 30 escutaria o que sua versão de 60 anos tentasse lhe dizer? Ou será que, para mim aos 20, eu seria hoje apenas mais um velho chato qualquer? Questão antiga: fora nossa identidade jurídica, que permanece igual, será que, ao longo da vida, somos a mesma pessoa?
Nesse fim de semana, no festival de cinema do Rio, assisti a "Camille Outra Vez", de Noémie Lvovsky, título original "Camille Redouble" (não sei quando o filme será distribuído no Brasil, mas conto com o cinema Reserva Cultural, que, em São Paulo, para quem aprecia cinema francês, é uma dádiva).
No filme, Eric e Camille ficaram juntos a vida toda. Mas Eric acaba de deixar Camille por uma mulher mais jovem (e talvez menos beberrona). No Réveillon, Camille desmaia e acorda aos 16 anos. Ela reencontra seus pais, as amigas da escola e, sobretudo, Eric, pois é bem naquela época que eles se encontraram.
Claro, Camille quer mudar o curso de sua vida (não namorar Eric) para evitar a dor futura da separação. Mas o fato é que muitos amores são como a vida: eles valem a dor que seu desfecho triste nos dará eventualmente um dia.


Por: Contardo Calligaris

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/1163286-de-volta-para-o-passado.shtml
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Achei que só eu daqui lesse os comentaristas da Folha.

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Achei o texto interessante. Como gosto do tema, resolvi postar aqui.

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Bem interessante o texto.

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  1. RenatoCS
    RenatoCS respondeu ao tópico de marujita em Exibições Internacionais
    Sábado 1 de febrero: El Chavo Episodio 195 (1978): La sobrina de Doña Clotilde pt.2 Episodio 164 (1977): Falta de agua pt.1 Episodio 165 (1977): Falta de agua pt.2 Episodio 177 (1977): Pintando la vecindad pt.1 Episodio 178 (1977): Pintando la vecindad pt.2 Los primeros 3 episodios los dieron en el horario del Chapulín Colorado. Por lo visto el cambio sí fue planificado y se realizó uno de estos días, porque hoy figuraba El Chavo en todas las guías de programación que revisé, pero hasta mediados de semana seguía el Chapulín.
  2. Doutor Chimoltrúfio
    Doutor Chimoltrúfio respondeu ao tópico de Valette em Exibições Internacionais
    Chapolin: México - Sábado, 31 de janeiro de 2026 Horário de Brasília 17:30 - Criando caso / Ratos e ratoeiras (1977) 18:00 - Antiguidade não é o mesmo que velharia (1977) OBS: O episódio acima já havia sido apresentado pelo canal outras duas vezes desde o retorno da série, uma em 31/05/2025, e a mais recente em 31/08/2025. 18:38 - Onde estão os passarinhos? (1977) 19:08 - Sansão perdeu o cabelão (1977) 19:39 - A caranguinha / Os automóveis se afinam em dó maior (1977) OBS: O episódio acima já havia sido apresentado pelo canal em 05/07/2025.
  3. HOMESSA
    HOMESSA respondeu ao tópico de Andy em Fórum Único Chespirito
    Que era interpretado por Arturo García Tenório, o bebê jupiteriano (1974) Que era casado com Angélica, interpretada pela ex nora do Chespirito.
  4. marujita
    marujita respondeu ao tópico de Andy em Fórum Único Chespirito
    Pra fechar a trilogia das Marias, o Carlos também deu voz ao personagem Tatá em "Maria Mercedes".
  5. Ruan Fonseca
    Ruan Fonseca respondeu ao tópico de Pavi em Fórum Único Chespirito
    Estou assistindo as esquetes do Chaves no programa Chespirito e olha... o que não falta é remake feito nas coxas. :lol: Vou citar só um: A esquete Depois do Ano Novo (1984) do Chaves. Pior remake já feito pelo Roberto, com um dos maiores furos de roteiro que já vi. Assistam e tirem suas conclusões.

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