A Bundesliga consolidou nos últimos anos uma relação estratégica com o mercado brasileiro e hoje se posiciona como a liga europeia mais assistida no Brasil. Esse avanço ocorre em paralelo à renovação e ampliação de acordos de mídia com Globo e SporTV, além de CazéTV, Canal Goat e XSports. Os novos pacotes passam a valer a partir da temporada 2026/2027 e têm duração de três anos, ou seja, até 2028/2029, ampliando ainda mais a presença multiplataforma da competição. O movimento está ancorado em resultados recentes. Na última temporada, a liga alemã registrou 170 milhões de visualizações ao vivo ao longo do calendário, média de 5 milhões de visualizações ao vivo por rodada em sua rede de distribuição no Brasil, que reúne canais fechados, abertos e plataformas digitais. O volume representa um crescimento de 811 % em relação ao desempenho de uma década atrás, indicando a expansão consistente da audiência global do Campeonato Alemão. No ambiente digital, o desempenho também foi relevante : somadas, as plataformas de mídia social ultrapassaram a marca de 500 milhões de visualizações de vídeos na última temporada, ampliando o alcance internacional da competição. Como consequência dessa estratégia, a base de fãs da liga no Brasil dobrou entre 2018 e 2025, saltando de 12 milhões para 24 milhões, indicador que reforça o crescimento sustentado da marca no mercado local. Para entender esse processo de expansão, o MKTEsportivo conversou com Robin Austermann, vice-presidente-executivo da Bundesliga Américas. Ao detalhar a origem da estratégia no Brasil, o dirigente explicou que a liga percebeu limitações no alcance da TV por assinatura e decidiu diversificar a presença em outras plataformas. “Quando analisamos o mercado brasileiro, entendemos que a TV paga sozinha não seria suficiente para alcançar todo o potencial de público. O Brasil é um país continental, com diferenças regionais importantes e uma audiência muito conectada ao digital. Por isso, optamos por abrir novas frentes de distribuição, combinando TV fechada, canais abertos e plataformas digitais. A partir de 2023, aceleramos esse movimento e conseguimos ampliar de forma consistente o nosso alcance”, afirmou. Antes de detalhar os números mais recentes de audiência e alcance, o executivo contextualizou a estratégia adotada pela liga nos últimos anos para consolidar presença no mercado brasileiro. Segundo ele, a ampliação da distribuição, a diversificação de plataformas e a aproximação com parceiros locais fizeram parte de um planejamento estruturado para aumentar relevância e exposição no Brasil. O dirigente ressaltou que o movimento não se limitou à venda de direitos de transmissão, mas envolveu posicionamento de marca e construção de relacionamento com o torcedor brasileiro, criando as bases para os resultados que passaram a aparecer nos relatórios mais recentes de desempenho. “Nós vemos que os resultados estão realmente pagando, nós somos agora a Liga Europeia mais assistida no Brasil. Isso não aconteceu por acaso, mas por uma estratégia clara de estar presente onde o torcedor está. O Brasil se tornou o nosso maior mercado internacional fora da Alemanha, e isso reforça que a decisão de ampliar a distribuição foi correta. Para o próximo ciclo, mantemos essa lógica, porque ela mostrou ser sustentável e eficiente”, completou o vice-presidente-executivo da Bundesliga Américas. Ao abordar o cenário de mídia no país, o dirigente destacou que o desenho de distribuição da liga parte de uma leitura específica sobre o comportamento do público local. Para ele, o Brasil reúne perfis variados de consumo, o que exige um modelo menos engessado e mais adaptável às diferentes rotinas do torcedor. Nesse contexto, a estratégia passa por equilibrar presença em múltiplos formatos, evitando concentrar todo o conteúdo em um único canal e, ao mesmo tempo, preservando o potencial de monetização. A avaliação é de que a combinação de plataformas amplia o alcance sem comprometer posicionamento ou receita. “O mercado brasileiro é muito dinâmico e não existe apenas uma forma de consumir futebol. Há quem acompanhe pela TV tradicional, outros preferem o streaming e muitos transitam entre as duas opções. Não acreditamos que a exclusividade total seja sempre o melhor caminho. Quando você combina diferentes plataformas, consegue alcançar audiências complementares e ampliar o valor comercial da liga sem necessariamente perder relevância em nenhum canal”, explicou. Ao comentar sobre o posicionamento da liga no país, o executivo ampliou a análise para além dos números de audiência e contratos comerciais. Segundo ele, o Brasil se destaca não apenas pelo tamanho do mercado, mas pela intensidade da relação do público com o futebol, algo que influencia diretamente as estratégias de aproximação adotadas pela entidade. Robin Austermann ressaltou que há pontos de convergência entre o perfil do torcedor brasileiro e o modelo cultivado na Alemanha, especialmente no que diz respeito à centralidade do fã dentro do ecossistema do esporte. Essa identificação cultural, na avaliação do dirigente, é um dos pilares da conexão construída nos últimos anos. “O que nós vemos no Brasil é o maior interesse no futebol do mundo. Existe uma cultura muito forte de apoio aos clubes, de presença nos estádios e de engajamento constante. Isso se conecta com o que também valorizamos na Alemanha, que é o protagonismo do torcedor. Quando aproximamos essas duas culturas, criamos uma relação que vai além da simples transmissão de jogos”, declarou. A aproximação entre os mercados também envolve a presença física dos clubes. No último ano, equipes alemãs como o Bayer Leverkusen e o RB Leipzig realizaram pré-temporadas no Brasil, com amistosos e ativações locais. Para Robin Austermann, esse tipo de iniciativa reforça o vínculo institucional e comercial. “Trazer os clubes para o Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla de conexão com o torcedor. Não se trata apenas de jogar uma partida, mas de promover encontros, ações com parceiros e experiências que aproximem as marcas do público local. Além disso, há um histórico relevante de jogadores brasileiros na Bundesliga, o que cria uma ponte natural entre os dois países e facilita esse diálogo”, afirmou o executivo. O intercâmbio também alcança o campo institucional. No início do ano, representantes da CBF e de clubes brasileiros estiveram na Europa para conhecer modelos de organização e governança da LaLiga, Premier League e Bundesliga. Robin Austermann avaliou que a troca tende a ser positiva para ambos os lados. “Nós não enxergamos outras ligas como concorrentes diretas, mas como parte de um ecossistema global do futebol. Sempre há algo a aprender e também a compartilhar, seja em gestão financeira, estrutura de liga ou relacionamento com torcedores. O Brasil e a Alemanha têm semelhanças importantes na forma como o futebol está inserido na sociedade, e isso cria um ambiente favorável para cooperação”, disse. Por fim, o executivo reforçou que o planejamento internacional da liga não está baseado em movimentos reativos ao mercado, mas em um projeto de longo prazo. Segundo ele, a prioridade tem sido consolidar uma atuação própria, com metas definidas e expansão gradual em mercados considerados estratégicos. “Estamos seguindo a nossa própria estratégia, estamos olhando para nós mesmos e não muito para os outros. O nosso foco é construir uma presença consistente, que combine direitos de mídia, produção de conteúdo local e relacionamento com parceiros. O Brasil é peça-chave dentro dessa visão internacional, e queremos continuar ampliando as conexões entre os dois mercados de forma estruturada e sustentável”, concluiu o vice-presidente-executivo da Bundesliga Américas. Fonte : https://www.mktesportivo.com/2026/03/bundesliga-dobra-base-de-fas-no-brasil-e-consolida-o-pais-como-principal-mercado-fora-da-alemanha/
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