Postado 6 de Novembro de 2014 11 anos Por que tanta gente ainda acredita em atividade paranormal? Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, o ex-premiê britânico Winston Churchill disse ter visto o fantasma do ex-presidente americano Abraham Lincoln em uma visita à Casa Branca. Depois de tomar um banho - acompanhado de uísque e cigarro - Churchill conta que cruzou com o fantasma quando estava nu.O ex-premiê britânico teria dito: "Boa noite, senhor presidente. Você parecer ter me pego em uma situação de desvantagem." Churchill diz que o fantasma de Lincoln apenas sorriu e desapareceu.Essa história coloca Churchill em uma lista de pessoas ilustres que dizem ter tido experiências sobrenaturais. O escritor Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, costumava "conversar com fantasmas" através de médiums. O britânico Alan Turing, um dos pais da computação moderna, acreditava em telepatia.Pesquisas mostram que eles são a maioria. Um estudo recente indicou que três em cada quatro americanos acreditam em atividade paranormal. Um em cada cinco disse ter visto um fantasma.Psicólogos se debruçam sobre o tema há anos para entender algumas destas crenças. Parte delas são facilmente explicadas. Alguns tipos de danos cerebrais, em particular no hemisfério direito do cérebro, que é responsável pelo processamento da visão, podem causar sensações como a visualização de objetos que não existem. Alguns dos "fantasmas" vistos seriam apenas problemas nessa parte do cérebro.A combinação de diversos fatores - como exaustão, drogas, álcool ou "truques" de iluminação - pode ampliar esta sensação, talvez explicando a experiência de Churchill. Mas ainda assim, nem tudo pode ser atribuído a apenas estes fatores.ProteçãoPsicólogos que estudam religiões suspeitam há anos que a crença em mundos espirituais pode proteger as pessoas das duras realidades da vida.Três em cada quatro americanos acreditam em fantasmasQuando algum trauma acontece na vida de uma pessoa - como morte, catástrofe natural ou desemprego, por exemplo - o cérebro tenta "embaralhar" as informações, buscando algum sentido no caos.Em alguns estudos, a psicóloga Jennifer Whitson, da Universidade do Texas, descobriu que a mera menção de eventos traumáticos foi suficiente para despertar ilusões e visões "paranormais".Algumas pessoas passam a indentificar padrões diversos onde não há nada - como na bolsa de valores, por exemplo. Seriam esses padrões ilógicos que teriam dado origem a superstições - como bater na madeira para ter sorte.Outro sintoma comum é o antropomorfismo - ver contornos humanos em objetos e animais. Assim, muitas pessoas veem "espíritos" em fenômenos como tempestades."Nós criamos a crença nos fantasmas porque não podemos lidar com o fato de que o universo é aleatório", diz Adam Waytz, da Universidade Northwestern.O psicólogo Tapani Riekki, da universidade de Helsinque, tenta descobrir se algumas pessoas são mais propensas a buscar explicações paranormais.Recentemente, ele fez uma experiência mostrando animações com sombras, e analisando o cérebro dos voluntários com um tipo de ressonância.As pessoas que haviam declarado crer em atividades paranormais foram as que identificaram algum tipo de "intenção" por trás dos movimentos da animação - que eram totalmente aleatórios. Riekki também descobriu que essas pessoas tendem a ver "rostos escondidos" em fotos.O psicólogo concluiu que os que acreditam em atividades paranormais possuem uma "inibição cognitiva" mais fraca do que os céticos. Essa inibição é responsável por "abafar" pensamentos não-desejados. Isso sugere que todo mundo tem medo de coincidências e padrões estranhos, mas que os céticos reagem melhor ao descartar esses sentimentos. Um exemplo clássico é de pessoas que pensam em suas mães - e poucos minutos depois ela telefona. Muitos resistem à ideia de que isso é apenas uma coincidência.BenefícioMas os pesquisadores dizem que os céticos não devem criticar exageradamente as pessoas que acreditam em atividades paranormais, pois há alguns benefícios nisso.Churchill, Conan Doyle e Turing também disseram acreditar no sobrenaturalUm estudo mostrou que os "crentes" têm mais confiança em suas decisões, mesmo diante de informações inconclusivas a respeito de um determinado tema.Outro estudo revelou que pessoas que acreditam em um talismã podem ter desempenhos melhores em determinadas atividades. A crença na sorte trazida pelo talismã reduz o nível de ansiedade, e melhora a concentração.Mesmo aqueles que se dizem céticos não devem subestimar o poder da sugestão.Michael Nees, do Georgia Institute of Technology, recentemente pediu que seus alunos ouvissem o som que foi gravado por um programa de televisão americano de "caça-fantasmas". Mesmo aqueles que se disseram céticos foram capazes de ouvir mais sons do que o que estava gravado. Aparantemente a mera expectativa de ouvir algo parecido como uma experiência sobrenatural foi suficiente para "aguçar" o cérebro dos céticos, fazendo com que eles também tivessem algumas ilusões.Segundo Jennifer Whitson, mesmo pessoas que não acreditam em superstições ou fantasmas podem ter ideias elaboradas que não correspondem à realidade. É o caso de pessoas que acreditam em teorias de conspiração envolvendo governos ou pessoas que acham que estão sendo perseguidas por colegas."É fácil pensar em si mesmo como o dono da racionalidade, mas é mais sábio entender que todo mundo está sujeito a cometer erros quando sentimos que não estamos no controle da nossa vida", diz Whitson.Até mesmo mentes astutas, como Churchill, Turing e Conan Doyle, cederam a esses impulsos menos racionais de tempos em tempos.http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141103_vert_fut_paranormal_dg.shtml
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