A evolução do mercado de cervejas alterou os critérios de decisão de compra dos consumidores, que passaram a considerar fatores como a origem dos ingredientes, o tipo de malte e a experiência de consumo. A disputa entre os grandes fabricantes do setor concentra-se nos segmentos premium e superpremium, onde atributos como a pureza da receita, a identidade das marcas e a consistência do sabor dividem espaço com as variáveis de preço e volume. Os reflexos dessa disputa por valor e posicionamento de marcas já são visíveis nos balanços financeiros do setor. Durante uma teleconferência de resultados realizada no início de junho de 2026, o diretor-executivo da AB InBev, Michel Doukeris, afirmou que a operação brasileira registrou desempenho sólido no primeiro trimestre. O resultado teve como principal impulso o ganho de participação nas categorias premium e superpremium. Michel Doukeris informou que a companhia avançou ou manteve participação em 75 % dos mercados onde atua. “Continuamos a ganhar market share em cerveja e spritz”, afirmou. Na prática, isso significa que a empresa aumentou sua fatia de mercado nessas categorias. Anna Paula Alves, diretora de Categoria da Ambev, confirma que o avanço das cervejas premium reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que busca mais variedade e novas experiências de consumo. “Nosso consumidor de premium é um consumidor que exige mais, quer mais versatilidade e mais opções”, afirmou. A executiva também atribui o crescimento do segmento à ampliação das opções disponíveis no mercado. A estratégia de diversificar o portfólio permitiu à companhia fortalecer sua presença na categoria. “Hoje, as cervejas premium representam cerca de 25% do mercado brasileiro, e nossas marcas premium e superpremium seguem crescendo em ritmo acelerado”, disse Ana Paula Alves. Para a diretora da Ambev, o Brasil se consolidou como uma plataforma importante para inovação no setor. “Marcas como Stella Artois Pure Gold e Michelob Ultra refletem nossa capacidade de acompanhar a evolução das preferências dos consumidores brasileiros”, destacou, ao citar a procura por alternativas com menos calorias, menos carboidratos e sem glúten. A estratégia ocorre em um segmento historicamente disputado com a Heineken. No terceiro trimestre do ano passado, a Ambev informou ter alcançado a liderança da categoria premium no Brasil pela primeira vez em dez anos. A Heineken, porém, contesta os números. A empresa atribui o cenário a uma disputa de preços nas gôndolas dos supermercados. De acordo com a Heineken, a marca teve papel central na transformação brasileira do segmento premium. Segundo estimativas internas do grupo, o segmento saiu de cerca de 5 % para 25 % do mercado de cervejas, em pouco mais de uma década. “Pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação no mercado de cerveja no Brasil. A marca Heineken, após uma trajetória notável de 15 anos, mostra sinais de maturidade do ciclo”, aponta um relatório da BTG Pactual. A Copa do Mundo de 2026 deve elevar o consumo global de cerveja em cerca de 1 bilhão de copos de 500 ml, segundo estimativa da Jefferies, instituição financeira dos Estados Unidos especializada em análises de mercado para investidores. A edição do torneio em 2026 conta com 48 seleções e 104 partidas, acima dos 64 jogos das edições anteriores. A ampliação da competição deve resultar na Copa do Mundo com maior consumo de bebidas já registrado. Os analistas também projetam que a Copa do Mundo 2026 impulsionará os volumes globais de vendas de cerveja entre 0,2% e 0,3% em 2026. O torneio tem como sedes os Estados Unidos, o Canadá e o México, três mercados relevantes para a indústria cervejeira. Fonte : https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/cervejas-premium-ampliam-mercado-e-acirram-disputa-por-consumidores-no-brasil/
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