Entrevista com Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura Temos na lembrança o fechamento de grandes livrarias do país, como a Saraiva. A venda de livros está em queda no Brasil ? Entre 2013 e 2023, caiu quase 20 %, mas já recuperou nos últimos dois anos. Tivemos aumento de 6 % [em 2025], mas estão incluídos livros de colorir. Tirando os livros de colorir, cresceu 2 %. O período é de recuperação. A Saraiva quis ser a Amazon do Brasil, vendendo com prejuízo, vivendo só de livro. A Amazon não vive só de livro, é uma porta de entrada. Todo mundo já sabia que a Saraiva ia acabar quebrando. Foi o que aconteceu. A Saraiva estava perdendo dinheiro grande na internet, depois começou a vender produtos eletrônicos, mas não era competitiva. Não ganhava no preço e perdia caixa. Se você olhar o balanço da Saraiva antes de entrar em recuperação judicial, em 2018, a Saraiva dava prejuízo há mais de dez anos. Nesse cenário, como está a Leitura ? Diferentemente do que o mercado financeiro fala, as livrarias estão crescendo e nós crescemos bastante. Antes de a Saraiva entrar em recuperação judicial, a gente tinha pouco mais de 80 lojas. No ano passado, terminamos com 133 lojas. Creio que teremos outras cinco lojas no segundo semestre. A gente não fica com loja deficitária. Em cada oito ou nove lojas que você abre, uma vai dar errado. Essa nós fechamos logo, no máximo em dois anos. Qual foi o faturamento da Leitura no passado ? A gente não informa faturamento. Mas vendemos em 2025 cerca de 14 milhões de livros sendo que quase um milhão foi de colorir. O livro é 62 % do nosso faturamento. Papelaria, sendo que material escolar representa cerca de 30 %. Outros 8 % são jogos de tabuleiro, presentes… A expansão das lojas físicas tem um limite ? A nossa meta não é falar "vou abrir dez lojas." Teve ano em que abrimos 14 lojas. Quando a Saraiva estava fechando as dela, havia mais oportunidades. A gente não tinha dívida e tinha caixa sobrando. Aproveitamos. Quando a gente achar uma cidade que tem potencial, a gente vai. Esse movimento de Saraiva, Cultura, Fnac abriu uma oportunidade para outras livrarias expandirem ? Quem teve possibilidade, sim. Quem tinha caixa e estava bem organizado, cresceu. A Leitura cresceu, a Livraria da Vila, em São Paulo, cresceu muito. A Travessa, no Rio de Janeiro, cresceu. No Sul, a Livraria Santos cresceu, assim como a Livraria Paisagem. A Livraria Escariz, no Nordeste… Depende da oportunidade. Se um shopping quer uma livraria, tem de fazer preço que seja compatível com a venda de uma livraria que, ao lado de cinema e outras lojas culturais, trazem público mais qualificado, pagam menos [aluguel]. A margem de lucro é menor. Fonte : https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/05/livraria-bem-organizada-e-com-caixa-cresceu-diz-ceo-da-leitura.shtml
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