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Victor235

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NOTÍCIAS

A biografia " Britney Spears : A Mulher em Mim" custou pelo menos R$ 1 milhão para a editora Buzz.

Isso, apenas de pagamento de direitos autorais. É o maior investimento da editora em um único livro.

Com lançamento mundial previsto para o dia 24 de outubro de 2023, o livro sairá, no Brasil, com uma tiragem inicial de 100 mil exemplares, segundo a editora. 

A obra já está em pré-venda e já ultrapassou 11 mil exemplares comercializados.

Fonte : https://www.estadao.com.br/cultura/babel/biografia-de-britney-spears-e-o-maior-investimento-da-historia-da-buzz-veja-quanto-a-editora-pagou/

 

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NOTÍCIAS

A rede de livrarias Saraiva, que está em processo de recuperação judicial desde 2018, demitiu o restante de seu corpo de funcionários nesta quarta-feira.

Os cerca de 150 colaboradores dispensados estavam distribuídos entre as áreas administrativas, na sede da companhia, e as cinco lojas físicas restantes no país.

A informação foi publicada pelo site PublishNews e confirmada pela Folha. 

Com as demissões, a operação da empresa deve ficar comprometida, com as unidades físicas e o site saraiva.com possivelmente inoperantes a partir desta quinta-feira.

Fonte : https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/09/saraiva-demite-todos-os-funcionarios-e-pode-fechar-ultimas-5-livrarias-nesta-quinta-21.shtml

 

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Chapolin Gremista
NOTÍCIAS

 

22/11/1963

60 anos da morte de Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo

Ele morreu nos EUA em 22 de novembro de 1963

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Hoje, a morte de Aldous Leonard Huxley (1894-1963), escritor inglês, completa 60 anos. Ele é considerado um dos grandes autores da literatura caracterizada por enredos que se passam em épocas futuras, chamado por alguns críticos de “literatura distópica”.

Huxley nasceu em Godalming, Inglaterra. Seu primeiro livro foi uma coletânea de poemas publicada em 1916. Seu primeiro romance, Férias em Crome, foi publicado em 1921. Seu sucesso como escritor, no entanto, ocorreu em 1928.

Huxley é autor de Admirável Mundo Novo, um clássico da literatura. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas são condicionadas geneticamente e psicologicamente para se conformarem com as regras sociais. A história se passa em Londres no ano de 2540 e a sociedade é dividida em castas e os bebês são produzidos em laboratórios. Os indivíduos são controlados por uma predisposição biológica e não têm liberdade de escolha.

Huxley viveu na Itália durante o regime fascista de Mussolini, o que influenciou seus livros. Anos depois, mudou-se para Hollywood para trabalhar como roteirista. Ele morreu nos EUA em 22 de novembro de 1963.

https://causaoperaria.org.br/2023/60-anos-da-morte-de-aldous-huxley-autor-de-admiravel-mundo-novo/

 

 

 

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NOTÍCIAS

 

COLUNA

As Histórias de José Mauro de Vasconcelos

O livro mais conhecido do escritor fluminense José Mauro Vasconcelos certamente é “Meu Pé de Laranja Lima” (1968)

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Resenha Livro – “Barro Blanco” – José Mauro de Vasconcelos – Ed. Melhoramentos

O livro mais conhecido do escritor fluminense José Mauro Vasconcelos certamente é “Meu Pé de Laranja Lima” (1968), espécie de relato autobiográfico da infância do escritor, vivenciada na pobreza de um bairro de subúrbio de Bangu/RJ.

As fantasias de uma criança que cultiva amizade com uma árvore de laranjeira do seu quintal, o encanto produzido pela imaginação dos menores, que conseguem abstrair as dificuldades da vida e encará-la com ternura e alegria, certamente cativou leitores de todas as idades e fez de Vasconcelos um dos poucos escritores brasileiros que pôde viver exclusivamente dos direitos autorais de sua obra.

Façanha que encontra poucos paralelos no Brasil: Érico Verissimo, Jorge Amado e Monteiro Lobato são outros poucos exemplos de escritores de uma literatura ao mesmo tempo popular, acessível a todos e de rara qualidade estética.

“Meu Pé de Laranja Lima” vendeu mais de dois milhões de exemplares, tendo sido publicada em 15 países. “Rosinha Minha Canoa” (1962) foi a primeira obra de sucesso do nosso escritor, que igualmente relata um mundo encantado e fantástico, em que o pescador mantém dialogo e afeto com sua canoa, cuja origem advém de uma árvore capaz de sentir e de se comunicar. E a novela “Coração de Vidro” teve mais de 650.000 exemplares vendidos, publicações em 10 países, traduções em três idiomas e mais de 70 edições no Brasil.

A popularidade de Vasconcelos, por diferentes razões, não se traduziu em reconhecimento na academia. Aliás, a própria figura do escritor representa a mais completa oposição a tudo o que se posse considerar acadêmico.

De família pobre, nascido no estado do Rio de Janeiro, aos nove anos mudou-se para a casa dos tios em Natal/RN, cidade onde matava aulas para nadar nas águas do Potengi, quase na boca do mar.

Quando menino, ganhou campeonatos de natação e, como todo garoto, gostava de futebol e de trepar em arvores. Foi neste momento também que teve os seus primeiros contatos com literatura. No curso ginasial, lia romances de Graciliano Ramos, Paulo Setubal e José Lins do Rego.

Chegou a frequentar dois anos do curso de medicina naquele estado, mas a sua personalidade irrequieta e aventureira o faria abandonar o curso e retornar ao Rio de Janeiro a bordo de um navio cargueiro, levando uma simples maleta de papelão como bagagem. Isto quando tinha apenas dezesseis anos de idade.

Nesta peregrinação pelo país a fora, trabalhou como treinador de boxe, carregador de bananas na capital do Rio de Janeiro, pescador do litoral fluminense, professor primário num núcleo de pescadores no Recife, garçom em São Paulo. Além de escritor, foi ator de cinema e modelo.

Em dado momento de sua vida, se juntou aos irmãos Villas Bôas, sertanistas e indigenistas, enveredando-se pelo sertão da região do Araguaia, contando povos indígenas desconhecidos e cartografando terras. O contato direto com aqueles povos sertanejos e indígenas criaria as condições para o escritor fazer relatos minuciosos (ainda que sua arte realista enveredasse para o fantástico, com animais e árvores falantes) dos povos do Araguaia, no seu já mencionado “Rosinha Minha Canoa” e no romance “O Garanhão das Praias” – ambos tratando de missões “civilizatórias” junto aos povos sertanejos e indígenas dos rincões do país.

Há na literatura de Vasconcelos não só ficção como a expressão de memórias e experiências diretamente vividas pelo escritor. Justamente por não ser um escritor acadêmico, seus personagens e histórias surgem daquilo que viu nas suas andanças pelo país e não apenas pelo que lido nos gabinetes das bibliotecas.

Aliada a sua notável memória, era escritor imaginativo e prodigioso contador de histórias: dizia que o seu método trabalho era facilitado pelo fato de já ter a história inteiramente elaborada na cabeça antes de concretizá-la no papel:

“Quando a história está inteiramente feita na imaginação é que começo a escrever. Só trabalho quando tenho a impressão de que o romance está saindo por todos os poros do corpo. Então vai tudo a jacto. Isso porque todos os capítulos estão já produzidos cerebralmente. Pouco importa escrever a sequência, como alterar a ordem. No fim dá tudo certinho. ”.

BARRO BLANCO

“A antiga cidade de Macau ficava numa ilha chamada Manuel Gonçalves.

Em 1825, essa ilha começou a afundar. Transportaram a cidade para o litoral, onde se encontra até hoje.

Por mais estranho que pareça, hoje a ilha está ressurgindo….

Este romance é a história dessa ilha, da seca, do sal e de outras grandes misérias do Rio Grande do Norte”.

Quando José Mauro de Vasconcellos escreveu “Barro Blanco” (1945) tinha apenas vinte e cinco anos de idade. O livro aborda a vida dos trabalhadores das salinas do Rio Grande do Norte e a recente experiência da sua infância em Natal ensejaria a elaboração do livro, com a descrição dos tipos populares com quem travara relações na sua infância: os trabalhadores do sal, os marítimos do cais do porto, os retirantes da seca e as mulheres de vida fácil.

O protagonista da história se chama Chicão e sua trajetória envolve para cada momento de vida um aspecto particular da realidade social nordestina.

Filho de cigano, é abandonado próximo a uma fazenda no sertão do Rio Grande do Norte, onde é acolhido como filho pelo coronel Pedro Azevedo.

Desde menino, não se interessa pelos estudos, mesmo a ele sendo oportunizadas as mesmas condições e possibilidades dos outros filhos do fazendeiro. O espírito livre de Chicão, relacionado ao seu sangue de cigano, o leva a se aproximar do trabalho no campo: primeiro no cultivo do algodão e depois junto aos vaqueiros cuidando do gado.

A vida de Chicão, e por extensão, do homem sertanejo que ele representa, está sempre condicionada às forças invencíveis na natureza.

Uma seca sem precedentes arrebata a fazenda do coronel, causando o abandono de todos os seus trabalhadores e, também, do afilhado de Pedro que, constrangido, despede-se da família para tomar rumo a outras terras. Retomar de certa forma a vida errante do cigano.

A falta de água desertificou os campos de algodão, matou o gado, secou os açudes e leva homens desesperados à retirada pelo sertão:

“Chegara o mês de outubro. A segundo quinzena se fora. Agora era época de ansiedade: seca. Podia ser como todos os anos. Podia ser também uma seca que durasse um, dois, três anos. Já tinha acontecido antes. A seca se prolongara por muitos anos e o flagelo começou a varrer todas as bandas do Rio Grande do Norte.

A miséria humana se desenvolveu tremendamente enquanto o sertão minguava, a ponto de expelir a gente que nascera ai, para outras partes. Os homens ressequidos, as mulheres cadavéricas, as crianças barrigudas e amarelas invadiam as cidades. Estendiam as mãos ossudas e pediam mais vida do que esmola. E os olhos do povo da cidade se enchiam mais de nojo que de piedade. Aquela miséria não comovia o coração, mas incomodava os olhos”.

A situação limite do retirante, fulminado pela fome e pela sede, leva-o ao desesperado ataque das cidades e fazendas. Era como se a falta da chuva também tivesse secado a consciência dos homens: eles saqueavam e matavam no derradeiro esforço de conservação.

Chicão abandona o Sertão e chega em Macau, onde se situa o centro das maiores salinas do mundo. Lá, como outros em situação de desespero, aceita talvez o pior e mais penoso trabalho a que um homem poderia se sujeitar.

Os trabalhadores das salinas têm os seus olhos aniquilados pelo reflexo do sol sobre o branco do sal verde: não foram poucos os que ficaram cegos para depois tornarem-se mendigos do centro da cidade.

Não podiam trabalhar senão descalços e o cloreto de sódio mutilava os pés, com rachaduras e lesões que apodreciam a pele e a carne. A lepra branca do sal verde atacava todos os trabalhadores invariavelmente, que sofriam do chamado “maxixe.”.

Apenas o desespero de meses transitando desde o sertão, sem água e comida, autorizaria qualquer pessoa a aceitar essas condições do trabalho. Que na história se relacionam não apenas à ganância e pouco caso do dono das salinas, mas, especialmente, à força irreversível da natureza, à luz do sal que queima os olhos e a pele dos estivadores.

Mesmo dotado de uma força física incomum, Chicão não aceita lançar-se ao suicídio gradual no trabalho das Salinas. Completa o ciclo, desde o Sertão até o mar e passa a trabalhar como marítimo no cais do Porto.

Neste momento, o protagonista expressa um outro tipo popular nordestino, o jangadeiro, homem do mar que deixa família e filhos na terra para passar meses em viagens transportando o sal para Natal e outras paragens.

O marítimo tem fisionomia própria: ele anda gingando, fala sorrindo e ama com sofreguidão. Neste último caso, por passar meses no mar, alimentando o desejo por mulher. E, no cais do porto, as mulheres de vida fácil saciem a voracidade dos marinheiros.

Novamente, serão as condicionantes da natureza quem ditarão o destino de Chicão.

Foi recrutado para uma viagem arriscada, por conta dos indicativos de chuva e mau tempo, e vencendo o alerta de companheiros, aceita a empreitada.

Após alguns dias de viagem, o barco é esfarelado pela força de uma tempestade: a altivez, força e coragem do sertanejo não podem se medir com os desígnios de Deus. Novamente, a ordem da natureza se sobrepõe à vontade humana.

A triste morte de Chicão e seus companheiros não significa dizer que o enredo se reduz a um conteúdo puramente trágico. Tal qual a vida real, o livro retrata momentos de felicidade e tristeza, festas e velórios, nascimento e morte. E o fio condutor dos eventos é a esperança, representada pela Ilha de Macau que foi submergida pela água (como castigo de Deus) para depois ser devolvida aos homens, como, talvez, um ato de misericórdia divina.

https://causaoperaria.org.br/2023/as-historias-de-jose-mauro-de-vasconcelos/

 

 

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Chapolin Gremista
NOTÍCIAS

 

CAMPANHA REACIONÁRIA

O “racismo” de Monteiro Lobato e a extinção da literatura

A insistência em detratar um dos grandes escritores brasileiros serve aos interesses daqueles que querem atacar as conquistas nacionais

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A Folha de S. Paulo publicou uma reportagem sobre uma entrevista com a escritora de literatura infanto-juvenil, Ruth Rocha, que está lançando um novo livro.

Na maior parte do artigo, apenas a divulgação do novo livro e causos da vida da escritora. O que chamou a atenção, no entanto, foi o destaque dado a uma declaração de Ruth Rocha sobre Monteiro Lobato:

“Parou de presentear as pessoas com a obra de Monteiro Lobato depois que a filha de sua funcionária se queixou de uma história em que havia a expressão ‘negra beiçuda’. ‘Falei pra ela: ‘Você tem toda a razão de não gostar. Tá tudo errado, isso é muito feio mesmo'”.

A primeira coisa que chama a atenção é a preocupação da Folha de S. Paulo em destacar a acusação de racista contra Monteiro Lobato. Um dos grandes escritores da literatura nacional e um dos maiores escritores de literatura infantil do mundo é constantemente avacalhado como sendo racista. 

Além do identitarismo ignorante, com sérias deficiências de interpretação de textos, a política por trás dessa campanha é avacalhar um importante personagem da história e da cultura brasileiras.

É o que explica a insistência de um jornal burguês como a Folha, acostumado a atacar qualquer posição de esquerda, a parecer preocupado com o racismo.

Pelo contexto do artigo, podemos concluir que Ruth Rocha era uma admiradora de Monteiro Lobato a ponto de presentear os amigos com os livros do escritor paulista. Devemos crer também, segundo a reportagem, que a opinião da filha da funcionária da escritora teve um peso muito grande na opinião de Ruth Rocha, em seus 92 anos de idade e uma carreira literária de mais de 50 anos. Tudo muito estranho, mas a Folha faz questão de mostrar: “Lobato era racista”, ou melhor, o que ele escreveu era “feio”, como diz a reportagem.

Segundo a reportagem, a expressão “negra beiçuda” seria a prova do racismo. Se Monteiro Lobato estivesse vivo, a filha da funcionária de Ruth Rocha talvez pudesse ensina-lo a escrever mais “bonito”: “mulher afro-descendente com lábios grossos”. Será que essa expressão satisfaz aos patrulheiros da literatura de Lobato.

O problema é que, no fim das contas, o conteúdo é o mesmo. E se o conteúdo é o mesmo, não pode haver racismo, nem no primeiro caso, nem no segundo. Achar a primeira expressão “feia” é um direito de cada um. Já a insinuação de racismo, que é o real motivo para a afirmação de que a expressão é “feia”, não procede de jeito nenhum.

Se Monteiro Lobato escrevesse como no segundo caso, ele não seria Monteiro Lobato. Lobato foi um dos principais defensores do uso da linguagem popular em sua literatura. Seus biógrafos afirmam que os estudos de expressões regionais feitos por Lobato e usados em seus livros ajudou a aumentar os verbetes dos dicionários da época.

A expressão “negra beiçuda” pode não ser nenhuma novidade, mas com certamente é a maneira que o povo fala nas ruas. Negra é uma mulher de pele escura, beiçuda é uma pessoa de beiços ou lábios grandes, grossos ou carnudos, como queira. Qual seria o problema da expressão, a princípio nenhum.

Outra alegação dos detratores de Lobato é que expressões desse tipo colaboram para criar uma caricatura do negro. O problema é que preocupações como essa mostram que o melhor seria extinguir toda a literatura, afinal, grande parte dos personagens literários, senão todos, são um tipo de caricatura.

Outras teses absurdas como essa são apresentadas contra Monteiro Lobato. A realidade é que toda essa campanha serve apenas para desmoralizar um grande nome da literatura brasileira. Mais ainda, serve para esconder o caráter nacionalista desse escritor.

https://causaoperaria.org.br/2023/o-racismo-de-monteiro-lobato-e-a-extincao-da-literatura/

 

 

 

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LITERATURA

9/12/1977: 46 anos da morte de Clarice Lispector

Escritora é considerada uma das mais influentes da literatura do século XX

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Hoje, a morte da escritora Clarice Lispector completa 46 anos. Nascida Chaya Pinkhasovna Lispector em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, foi uma renomada autora e jornalista brasileira, considerada uma das mais influentes da literatura do século XX. Fugindo da Guerra Civil Russa, sua família imigrou para o Brasil quando ela tinha apenas um ano de idade, fixando residência no Recife.

A autora passou a infância na capital pernambucana e, mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu seus estudos, formando-se em Direito. Aos 23 anos, casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. A vida de diplomata levou Clarice a residir em diferentes países, como Estados Unidos, Itália e Suíça.

Clarice Lispector iniciou sua carreira literária como cronista e jornalista, mas foi com a publicação de seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem (1943), que conquistou reconhecimento e prêmios. A obra inovadora e intimista já revelava a originalidade de sua escrita, explorando as personagens e abordando temas como identidade, solidão e existência.

Outras obras notáveis de Clarice Lispector incluem O Lustre (1946), A Cidade Sitiada (1949) e A Maçã no Escuro (1961). Entretanto, foi com A Hora da Estrela (1977) que ela alcançou grande destaque. A obra fala de Macabéa, uma nordestina pobre que busca uma vida melhor no Rio de Janeiro.

Sua escrita é caracterizada por uma prosa poética, introspectiva e experimental, frequentemente desafiando as convenções literárias. Seu trabalho transcendeu fronteiras, conquistou leitores não apenas no Brasil, mas também ao redor do mundo.

Além de seus romances, Lispector também deixou um legado significativo como contista. Laços de Família (1960) é uma coletânea de contos que reforça sua habilidade em explorar a complexidade das relações humanas e a psicologia das personagens.

Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos, deixando um impacto duradouro na literatura brasileira e sendo reconhecida como uma das grandes autoras do século XX.

https://causaoperaria.org.br/2023/9-12-1977-46-anos-da-morte-de-clarice-lispector/

 

 

 

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Chapolin Gremista

 

NOTÍCIAS

DIA DE HOJE NA HISTÓRIA

12/12/1877: 146 anos da morte de José de Alencar

José de Alencar é mais um gênio da literatura brasileira que hoje a cultura identitária tenta jogar na lata do lixo

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José Martiniano de Alencar, nascido no interior do Ceará, em 1829 é considerado um dos maiores nomes da literatura romântica do Brasil. Além de romancista, o escritor foi ainda jornalista e advogado, e também participou da política institucional no parlamento imperial.

Filho de José Martiniano de Alencar, senador do Império, Alencar mudou-se para o Rio de Janeiro ainda bastante menino e depois para São Paulo, onde estudou Direito na faculdade do Largo de São Francisco. Como político, Alencar defendeu causas bastante progressistas para sua época, como a abolição da escravidão, o direito ao voto para as mulheres e o instituto jurídico do habeas corpus, dispositivo jurídico que impede a prisão de um réu durante o desenvolvimento de seu processo.

Como escritor foi bastante influenciado pela leitura de gênios da literatura como, dentre outros, Balzac, Alexandre Dumas, Victor Hugo, Chateaubriand e Lord Byron. Em 1847, fundou a revista chamada “Ensaios Literários” por meio da qual iniciou a construção de suas obras literárias. Sua primeira obra publicada em 1856 foi o romance “Cinco Minutos” a partir do qual se seguiu uma vasta obra deixada pelo autor, morto aos 48 anos de idade.

Expoente dos escritores da primeira geração romântica no Brasil (1836 – 1852), cuja característica principal das obras eram a exaltação do nacionalismo brasileiro e do heroísmo da figura do índio, as principais obras de José de Alencar foram “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”, trabalhos que exaltavam esses aspectos peculiares do início do romantismo.

De tudo o que produziu, sua obra mais marcante, sem dúvida alguma, foi “O Guarani”, publicada em folhetins, em 1857.

Pioneira, a obra “O Guarani” apontou o índio brasileiro como uma figura central na formação do povo brasileiro, contribuindo imensamente para a criação de uma personalidade própria a um povo que havia acabado de se tornar independente do seu colonizador, no caso, Portugal.

Infelizmente, em tempos de verdadeira destruição cultural provocada pela política identitária, a principal obra de José de Alencar vem sendo duramente atacada pelos bárbaros identitários.

Recentemente a ópera “O Guarani” de Carlos Gomes, baseada na obra de Alencar, foi apresentada no Theatro Municipal de São Paulo com uma “releitura” produzida pelo índio do PSDB, Ailton Krenak.

A “releitura” de Krenak conseguiu aniquilar o espírito da obra, entregando no principal palco do País, uma verdadeira esculhambação da cultura nacional.

Além da apresentação do Theatro Municipal, também é preciso destacar que a Universidade de São Paulo (USP) anunciou a abolição de “autores homens” em sua lista de obras exigidas para o vestibular do próximo ano, em mais uma verdadeira sabotagem contra os grandes cânones da literatura brasileira.

https://causaoperaria.org.br/2023/12-12-1877-146-anos-da-morte-de-jose-de-alencar/

 

 

 

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LITERATURA BRASILEIRA

16/12/1865: nasce Olavo Bilac, maior escritor do Parnasianismo

Sua vida e obra deixaram uma marca indelével, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da poesia brasileira no final do século XIX e início do século XX

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No dia 16 de dezembro de 1865, nascia Olavo Bilac, uma figura imponente na história da literatura brasileira e o expoente máximo do movimento parnasiano. Sua vida e obra deixaram uma marca indelével, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da poesia brasileira no final do século XIX e início do século XX.

Bilac, além de poeta, era jornalista, advogado e contista, destacando-se em diversas áreas do campo literário. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, demonstrando o reconhecimento de seus pares quanto à sua relevância e contribuição para a cultura nacional.

O Parnasianismo, movimento literário que se opunha ao sentimentalismo romântico, encontrou em Bilac um de seus maiores defensores e praticantes. Caracterizado pela busca pela perfeição formal, pela precisão vocabular e pela ênfase na objetividade, o Parnasianismo encontrou em Bilac um mestre na arte de esculpir versos com elegância e rigor.

Entre suas obras mais conhecidas, destacam-se os sonetos, nos quais Bilac exibiu seu talento inigualável na escolha meticulosa das palavras e na construção cuidadosa dos versos. “O Caçador de Esmeraldas” e “Via-Láctea” são exemplos emblemáticos de sua poesia que ecoam até os dias atuais.

Além do domínio técnico, Bilac contribuiu para a consolidação de uma identidade literária brasileira, incorporando elementos nacionais em sua obra, e foi um fervoroso defensor do patriotismo. Sua atuação como propagandista da língua portuguesa e da cultura brasileira demonstra o comprometimento de Bilac com a construção de uma identidade literária genuinamente nacional.

Ao celebrar o aniversário de nascimento de Olavo Bilac, é impossível não reconhecer sua magnitude como um dos maiores escritores do Parnasianismo e sua inestimável contribuição para a riqueza e diversidade da literatura brasileira. Seu legado permanece vivo nas páginas de seus poemas, continuando a inspirar gerações e a consolidar seu lugar de destaque no panteão literário nacional.

 

https://causaoperaria.org.br/2023/16-12-1865-nasce-olavo-bilac-maior-escritor-do-parnasianismo/

 

 

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LITERATURA BARROCA

23/12/1636: nasce Gregório de Matos, o ‘Boca do Inferno’

Além de sua carreira jurídica, Gregório de Matos era conhecido por sua participação ativa na vida política da Bahia

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Gregório de Matos Guerra, nascido por volta de 1636 em Salvador, Bahia, e falecido em 1696 na mesma cidade, foi um dos mais destacados poetas do período barroco na literatura brasileira e é conhecido como “Boca do Inferno” devido à sua língua afiada e crítica. Sua vida foi marcada por uma mistura de talento literário, atividade política e uma personalidade irreverente.

Gregório de Matos pertencia a uma família abastada, sendo filho de Gregório de Matos e Maria da Guerra. Estudou no Colégio dos Jesuítas em Salvador e, posteriormente, na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde cursou Direito. Após completar seus estudos, retornou a Salvador em 1672 e começou a exercer a advocacia.

Além de sua carreira jurídica, Gregório de Matos era conhecido por sua participação ativa na vida política da Bahia. Ele esteve envolvido em diversos conflitos políticos e sociais da época, frequentemente expressando suas opiniões através de suas obras literárias.

Sua produção literária é marcada por uma linguagem rica e repleta de figuras de linguagem características do Barroco. Seus poemas abrangem temas diversos, desde críticas sociais e políticas até sátiras e poesia lírica. Gregório de Matos é especialmente reconhecido por suas sátiras mordazes que denunciam a hipocrisia e os costumes da sociedade colonial brasileira.

Em 1694, o acúmulo de acusações de difamação, em especial contra membros da igreja ou símbolos religiosos, resultou em uma deportação para Angola. A posição social do poeta e suas relações com figuras do poder ajudaram com isso a evitar o assassinato ou penas mais duras do que a deportação.

Em Angola, Gregório ajudou o governo português a combater uma conspiração militar e com isso foi autorizado a voltar ao Brasil. No entanto, proibido de voltar à Bahia. Acabou morrendo em Recife por conta de doença contraída ainda em Angola, aos 59 anos. Deixou uma vasta produção literária, onde conciliou rigor no estilo com um conteúdo livre das regras sociais da sua época. Mais um dos grandes escritores da língua portuguesa nascidos no Brasil.

Gregório de Matos deixou uma considerável produção poética, que abrange uma variedade de temas e estilos. Suas obras são geralmente classificadas em três categorias principais: lírica, satírica e religiosa. Alguns de seus poemas mais conhecidos incluem:

Lírica

Soneto à Noite: este soneto expressa a beleza e o encanto da noite, utilizando imagens poéticas e elementos da natureza;

A uma Dama que, vendo-se pintada: um poema lírico que reflete sobre a natureza efêmera da beleza e a vaidade da mulher que se pinta;

Soneto à Morte: neste soneto, Gregório de Matos aborda a temática da morte, comum na poesia barroca, explorando aspectos filosóficos e existenciais.

Satírica

Sátira aos Vícios: uma de suas sátiras mais conhecidas, onde critica os vícios da sociedade colonial brasileira, incluindo a corrupção, a hipocrisia e a moralidade duvidosa;

Carta a Cotrim: uma sátira direcionada a um contemporâneo, na qual Gregório de Matos expressa suas opiniões de maneira contundente e irônica.

Religiosa

Sermão da Sexagésima: embora seja mais conhecido por sua poesia, Gregório de Matos também escreveu sermões. “Sermão da Sexagésima” é um de seus mais famosos e trata da pregação eficaz;

Sermão de Santo Antônio: outro exemplo de seu trabalho na forma de sermão, abordando temas religiosos e morais.

Gregório de Matos faleceu em 1696, deixando um legado literário que influenciou gerações posteriores de escritores e poetas. Sua obra continua sendo objeto de estudo e apreciação, destacando-se como uma representação importantíssima do Brasil colonial no século XVII.

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Chapolin Gremista
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COLUNA

‘O Cortiço’, de Aluísio Azevedo

Denúncia social e crise revolucionária da Proclamação da República

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Publicado em 1890, ou seja, um ano após a Proclamação da República e dois após a Abolição, o romance de Aluísio Azevedo retrata um Brasil que passava por tais transformações revolucionárias.

Por meio das teses naturalistas vigentes entre os intelectuais da época, Azevedo procura não apenas mostrar a sociedade brasileira, como compreendê-la. É a busca, tão presente entre a intelectualidade, da chamada “identidade nacional”, tema que será constante entre todos os movimentos intelectuais até as vanguardas modernas do século XX.

Pode-se dizer que, desde os românticos, essa preocupação existiu de maneira mais organizada. Enquanto os românticos buscavam a identidade nacional criando heróis ideais, no entanto, os naturalistas procuravam num cientificismo a explicação de nossa formação social e cultural.

Como parte dessa preocupação também está a denúncia social. O autor de O Cortiço se volta para as camadas baixas da sociedade numa Rio de Janeiro em lento processo de modernização e urbanização. Otto Maria Carpeaux, em sua História da literatura Ocidental, afirma que, ainda que tenha “os defeitos dos naturalistas menores e seja pouco original” se comparado aos grandes expoentes internacionais dessa corrente, os romances de Aluísio Azevedo “sugerem até hoje a impressão de ‘cheio de vida’; e o mérito de ter descoberto a vida baixa na capital brasileira dá valor permanente a romances que já se transformaram em documento de sociologia histórica.”

As teses levantadas por Azevedo nem sempre são corretas, muitas vezes são confusas, mas refletem bem o esforço da intelectualidade nacional em busca da “essência” da sociedade brasileira. A ressalva é importante pois, logicamente, apesar do esforço de apresentar teses científicas, não podemos exigir do autor o máximo rigor e devemos analisar o livro como obra de arte, não como tratado sociológico, mas como um documento sociológico, como destaca Carpeaux. 

O naturalismo 

O naturalismo brasileiro está ligado ao processo revolucionário da crise do Segundo Império, que resultaria na abolição da escravidão em 1888 e na Proclamação da República em 1889 e que se radicaliza nos anos seguintes. As idéias materialistas e positivistas, que vinham dos movimentos revolucionários europeus de um século antes disso, tornaram-se a cobertura ideológica para os ideais republicanos e abolicionistas que unificaram a intelectualidade brasileira, ou seja, a ala mais progressista da burguesia nacional contra a dominação monárquica do Segundo Império.

A crise do regime político do Segundo Império assume enormes proporções e desemboca em um movimento revolucionário. Tal movimento de rejeição ao regime político se expressou no terreno das artes, na forma de uma ruptura com as correntes estabelecidas. O romantismo, corrente que se estabeleceu até as primeiras décadas da segunda metade do Século XIX se tornando a expressão literária oficial do Segundo Império. O convencionalismo em que caíra o romantismo, com fórmulas transformadas em clichês, acompanha a crise política do regime e não dá conta dos novos ideais que os revolucionários defendiam.

É nesse momento que surgem o realismo e o naturalismo, na prosa, e o parnasianismo, na poesia. A linguagem sentimental e espiritualista do romantismo dá lugar a uma atitude rigorosa, e à busca pela perfeição formal e técnica, a frieza racional.

O naturalismo é, portanto, a expressão desse movimento revolucionário que começa “por cima”, com a crise política resultante da divisão da burguesia no final do Império e acaba se refletindo nos “debaixo”, ou seja, nas camadas mais pobres da população. Essa é a origem da preocupação de Aluísio Azevedo com retratar as camadas baixas da capital brasileira. A preocupação é tão notável, que o autor, de família abastada, de fato vai viver em um cortiço para a partir de suas observações poder escrever o romance. A denúncia da situação social daquela gente do cortiço, composta por trabalhadores de vários tipos e origens é a marca do romance. Mas ali está também a denúncia da hipocrisia da burguesia que está disposta às maiores imoralidades para se enriquecer. É esse o retrato de João Romão, proprietário do cortiço, e de Miranda, dono do casarão vizinho e até mesmo dos setores moderados do movimento abolicionista, que surpreendem como uma instituição social de aparência.

Nesse sentido, a preocupação com as classes sociais mais pobres, indicam uma radicalização do movimento revolucionário que influenciou a literatura. O caráter progressista do interesse e do empenho de Azevedo pode ser comparado, com as devidas ressalvas, ao que Friedrich Engels desenvolveu de forma acabada, como um verdadeiro tratado histórico e sociológicos, em sua Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra (1845), livro que, por assim dizer, assentou as bases da análise materialista da economia e iluminou o caminho para a pesquisa científica que culmina com O Capital de Karl Marx (1867).

Formação da sociedade brasileira

No romance, cada personagem, cada acontecimento importante e cada conflito têm um objetivo. Aluísio Azevedo está mais preocupado em provar suas teses, retratar os ambientes e a vida das classes sociais do que propriamente contar uma história. Não seria justo dizer que O Cortiço não tenha uma trama interessante. Pelo contrário, a história, os diálogos, os conflitos, as descrições vão atraindo o leitor conforme a história flui. A principal preocupação do autor está, evidentemente, nos aspectos objetivos da realidade social.

A “personagem” principal é o próprio cortiço, a quem Aluísio dá vida própria por meio de seus moradores. E é justamente nas relações de seus moradores, na descrição do caráter de cada uma das personagens, que o autor busca desenvolver suas teses. A história toda é recheada de episódios cujo objetivo do narrador é apresentar algum aspecto da cultura nacional, alguma consideração sobre o caráter do povo.

A descrição da personagem Jerônimo é um exemplo bastante interessante de como o autor procura compreender a própria formação do povo brasileiro. Jerônimo é um português e operário que vem ao cortiço trabalhar na pedreira de João Romão, proprietário do cortiço.

O romance marca bem a personalidade inicial do português. Um homem metódico, dedicado ao trabalho e à família, recluso, que sonha retornar a Portugal. A situação vai se modificando progressivamente tanto mais ele se adapta ao ambiente brasileiro e muda completamente quando ele tem contato e se apaixona pela mulata Rita Baiana. Na relação entre os dois, o escritor tem o pretexto para descrever a transformação do português em brasileiro, uma alegoria para a própria formação social brasileira:

“Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (…) A revolução afinal foi completa: a aguardente de cana substituiu o vinho; a farinha de mandioca sucedeu à broa; a carne-seca e o feijão-preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas; a pimenta-malagueta e a pimenta-de-cheiro invadiram vitoriosamente a sua mesa; o caldo verde, a açorda e o caldo de unto foram repelidos pelos ruivos e gostosos quitutes baianos, pela muqueca, pelo vatapá e pelo caruru; a couve à mineira destronou a couve à portuguesa; o pirão de fubá ao pão de rala, e, desde que o café encheu a casa com o seu aroma quente, Jerônimo principiou a achar graça no cheiro do fumo e não tardou a fumar também com os amigos.”

Note como o narrador atribui a mudança da personalidade de Jerônimo ao meio natural e social em que ele se insere. A síntese do homem brasileiro está descrita ali naquela fusão do europeu com o negro e o mulato. E não se trata apenas de uma descrição biológica, mas mais ainda de uma descrição cultural. Até mesmo o fado, que o português cantava à janela de sua casa no cortiço, vai sendo gradualmente substituído, no interesse do português, pelo samba: “A guitarra! substituiu-a ela pelo violão baiano”.

As teses naturalistas são usadas por Aluísio Azevedo para a formação do caráter das personagens. No naturalismo, a moral está completamente desnuda, não é nada mais do que a cobertura do meio natural e social. Embora se possa notar excessos em algumas caracterizações, não há dúvida de que, do ponto de vista artístico e do esforço do escritor por compreender o Brasil, o livro é uma grande obra de arte.

O esforço para compreender a “identidade nacional” está nas relações sociais e na caracterização das personagens, mas está também nas cenas cotidianas nas quais são mostradas a roda de pagode, a capoeira, o café e a cachaça: toda a cultura popular brasileira está presente na narrativa.

A denúncia social 

Alguns críticos assinalam que Aluísio Azevedo, exagera ao destituir de moralidade todas as personagens. Em seu romance, ninguém está a salvo. Tal crítica, no entanto, não parece muito precisa, primeiro pois os esforços do autor estão voltados justamente para a ausência de moral, ou melhor dizendo, para provar que a moral não é nada mais do que um produto do meio.

Em segundo lugar, porque o autor, se por um lado desnuda a moralidade ao descrever as personalidades, de outro, não ignora o efeito que a convivência social exerce sobre os indivíduos, ou seja, ao estarem subordinados à sociedade, são capazes, por exemplo, de se unificar em torno de interesses coletivos. Assim, uma espécie de “moral” coletiva se sobrepõe sobre o indivíduo.

Um bom exemplo é a passagem do livro na qual é narrada uma invasão do cortiço pela polícia:

“De cada casulo espipavam homens armados de pau, achas de lenha, varais de ferro. Um empenho coletivo os agitava agora, a todos, numa solidariedade briosa, como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez.” 

O trecho é bastante revelador. No Rio de Janeiro da segunda metade do Século XIX, o tratamento da população pobre pela polícia era exatamente o mesmo de hoje. Aluísio Azevedo não fica apenas nesta denúncia. Procura mostrar a consciência coletiva da população contra a violência do Estado, a ponto de se unir para impedir a invasão policial.

Se de um ponto de vista individual as personagens não estão “salvas” moralmente, de um ponto de vista social elas estão dispostas a agir coletivamente em torno de seus interesses materiais que, em última instância, são o verdadeiro motor dos movimentos sociais. Ao contrário do que exige a esquerda pequeno-burguesa, acadêmica, idealista e portanto anticientífica, mesmo que destituídas de ideologia ou qualquer moralidade, as classes oprimidas são capazes de se levantar contra a opressão. Tal pode ser uma das conclusões políticas mais importantes da leitura desse romance nacional, publicado em 1890, mas que continua “cheio de vida” e revolucionário.

https://causaoperaria.org.br/2023/o-cortico-de-aluisio-azevedo/

 

 

 

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A literatura de Júlia Lopes de Almeida

Contemporânea de Machado de Assis e Aluízio de Azevedo, foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, principal instância de consagração literária do Brasil

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São muitos os exemplos de grandes escritores que não granjearam o devido reconhecimento ao seu tempo.

O exemplo mais conhecido da literatura nacional é o de Lima Barreto. O grande cronista do subúrbio carioca, sátiro da sociedade brasileira da Velha República, não teve o devido reconhecimento do público de seu tempo.

Hoje, por outro lado, sabe-se que o seu Policarpo Quaresma tem a mesma relevância nacional (e até um evidente paralelo) com o Dom Quixote de Cervantes. Cada qual sintetizava, ainda que de forma irônica, a cultura nacional, respectivamente brasileira e ibérica. Transcorreram, contudo, muitos anos até que Lima Barreto fosse alçado a um dos mais importantes escritores brasileiros.

O caso de Júlia Lopes de Almeida vai em sentido contrário. Foi a mulher mais lida no Brasil da Primeira República. Contemporânea de Machado de Assis e Aluízio de Azevedo, foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, principal instância de consagração literária do Brasil.

Por outro lado, assim como Lima Barreto, a nossa escritora teve de lidar com as terríveis vicissitudes relacionadas aos preconceitos da época. Barreto por ser negro, lidou e descreveu em seus livros o desprezo e a discriminação seculares relacionados a um país recém egresso da escravidão. E Júlia Lopes, por ser mulher, teve que arcar com dificuldades relacionadas a momento histórico em que a literatura era uma atividade exclusivamente masculina.

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida nasceu em 24 de setembro de 1862 no Rio de Janeiro, ou mais exatamente num casarão na Rua do Lavradio, onde se localizava o Colégio de Humanidades, então presidido por seu pai.

Entre os sete e os vinte e três anos vive em Campinas, no interior de São Paulo, onde se inicia o seu interesse pela literatura.

Numa entrevista concedida a João do Rio em 1905, Lopes conta que na adolescência fazia versos escondida: fechava-se num quarto, abria a secretária, escrevia seus poemas e silenciosamente os guardava na gaveta fechada à chave.

Esta experiência irá posteriormente se expressar nos seus livros, marcados por um estilo intimista. Sua literatura tem sempre uma atmosfera de interiorização, como se ela escrevesse voltada para dentro. Tal qual a adolescente trancada num quarto, fazendo algo que àquela época era inadmissível a uma mulher.

Ainda em Campinas, Lopes começa a escrever para jornais. Seu primeiro artigo tratou de uma peça teatral que se passou na cidade do interior paulista. Seu pai, também escritor, foi inicialmente convidado a resenhar o espetáculo. Alegando não ter tempo, incumbiu sua filha de elaborar o texto. E aos 19 anos, Júlia começaria uma carreira literária que envolveria a publicação de mais de trinta livros, além de ampla participação no jornalismo carioca.

Influenciada por escritores realistas e naturalistas dos fins de XIX, Lopes ocupou-se de retratar o Brasil do início dos anos 1900. É próxima das ideias abolicionistas e republicanas, a despeito de seus livros apenas muito remotamente ter conteúdo mais explicitamente político.

Ela descreve os primeiros anos da República Velha, a ascensão de uma burguesia citadina ligada ao comércio do café e a transição da economia escravocrata para a sociabilidade capitalista. Mas o faz com um olhar feminino, atenta aos detalhes, focada nas emoções e nos influxos de pensamento no bojo dos quais os seus personagens agem. Pensamento, sentimento, hesitações, as ambiguidades da alma têm igual ou maior importância do que os atos dos seus personagens. Uma extrema delicadeza, sensibilidade e lirismo denotam um estilo que podemos chamar de “feminino.”.

Não se tratava, por outro lado, de uma literatura propriamente “feminista”, epíteto que não era utilizado à época, mas, se fosse, certamente não seria reivindicado por nossa escritora.

No seu livro mais conhecido, “A Falência” (1915) a escritora de certa forma confronta alguns preconceitos da época, ao alçar como protagonista da história uma mulher que trai o marido.

Camila, esposa de um capitalista ligado ao comércio do café, mantém por seu marido um amor de amizade e respeito, mas ama maritalmente o Dr. Gérvasio, com quem mantém a tal relação extraconjugal, que é de conhecimento de todos, menos do seu distraído marido.

Contudo, poderíamos dizer que o seu “feminismo” para por aqui.

Não há propriamente uma insurgência em face dos papeis tradicionais reservados à mulher, uma oposição às tarefas de educação dos filhos e cuidados domésticos atribuídos à dona de casa.

Júlia Lopes ela própria soube bem conciliar (sem qualquer manifestação de “revolta”) o seu papel de escritora, esposa, mãe e dona de casa.

O que ela postulava basicamente era a educação moral da mulher e alguma compaixão da mulher infiel, sempre apontando que o mesmo dever de fidelidade não era socialmente cobrado dos homens.

Defendia a capacitação profissional da mulher para o trabalho remunerado dentro ou fora de casa.

É o que consta do seu livro “A mensageira”:

“Os povos mais fortes, mais práticos, mais ativos, e mais felizes são aqueles onde a mulher não figura como mero objeto de ornamento; em que são guiadas para as vicissitudes da vida com uma profissão que as ampare num dia de luta, e uma boa dose de noções e conhecimentos sólidos que lhe aperfeiçoem as qualidades morais. Uma mãe instruída, disciplinada, bem conhecedora dos seus deveres, marcará, funda, indestrutivelmente, no espírito do seu filho, o sentimento de ordem, de estudo e do trabalho de que tanto carecemos…” (1897).

No que toca ao seu citado romance “A Falência”, a realidade social da família burguesa citadina, enriquecida pela até então pujante economia do café, enseja personagens mulheres que se dedicam aos cuidados da casa, às leituras e ao ócio. As visitas da casa de Camila dedicam-se à troca de informações sobre a vida alheia: as fofocas são disseminadas como o vento, são amplamente propagadas em conversas de bonde.

Tal realidade vê-se abruptamente transformada com a crise do comércio. O capitalista Francisco Teodoro faz um investimento arriscado e põe toda sua riqueza a perder, levando-o depois ao suicídio. Sua família, desmantelada, passa a depender da ajuda de parentes. E a protagonista Camila, agora viúva e empobrecida, vê-se obrigada a começar uma nova vida no trabalho, a despeito de não ter qualquer capacitação e experiência no labor.

O triste fim da protagonista dá margem à “crítica social” da escritora carioca. Uma crítica lírica, resignada, conciliadora e, por isso, aclimatada ao espírito do seu tempo. Fosse talvez um pouco diferente, e Lopes teria tido a mesma triste sorte de Lima Barreto.

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LITERATURA

3/1/1892: 132 anos do nascimento de J. R. R. Tolkien

Escritor inglês foi um dos principais nomes da literatura fantástica

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John Ronald Reuel Tolkien, mais conhecido como J. R. R. Tolkien, nasceu em 3 de janeiro de 1892, em Bloemfontein, na África do Sul. Filho de Arthur Reuel Tolkien e Mabel Suffield, Tolkien passou grande parte de sua infância na Inglaterra após a morte de seu pai. A influência da natureza e da língua inglesa teve um papel crucial em sua formação e, posteriormente, em seu trabalho como escritor.

Tolkien estudou na King Edward’s School, onde desenvolveu um interesse precoce em línguas clássicas, literatura e mitologia. Mais tarde, frequentou o Exeter College, em Oxford, onde se destacou em estudos clássicos e linguística. Sua paixão por línguas o levou a criar várias línguas fictícias, uma habilidade que desempenharia um papel central em suas obras mais tarde.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Tolkien serviu como oficial nas Forças Armadas Britânicas e testemunhou os horrores da guerra, experiência que influenciou profundamente suas visões sobre a humanidade. Após a guerra, ele retornou a Oxford, onde se tornou professor de inglês, dedicando-se ao estudo acadêmico e à criação de suas línguas fictícias e mitologias.

Uma de suas obras mais conhecidas é O Hobbit, publicado em 1937. Este livro, destinado a crianças, foi o precursor de seu épico mais famoso, O Senhor dos Anéis, que foi publicado em três volumes entre 1954 e 1955. Essa trilogia consolidou Tolkien como um dos maiores escritores de fantasia da história da literatura.

O Senhor dos Anéis é uma obra vasta e complexa, ambientada em um mundo fictício chamado Terra-média. A narrativa envolvente, rica mitologia e personagens memoráveis conquistaram leitores em todo o mundo, tornando-se um clássico da literatura contemporânea.

Além de suas obras de ficção, Tolkien contribuiu significativamente para a academia com trabalhos sobre filologia e literatura medieval. Seu legado se estende para além da literatura, influenciando a fantasia moderna e inspirando inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas de suas obras. Ele faleceu em 2 de setembro de 1973, deixando um legado duradouro.

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LITERATURA ESPANHOLA

16/1/1605: primeira edição de Dom Quixote é publicada

Um dos maiores clássicos da literatura mundial surgiu no período de ápice do domínio espanhol quanto até mesmo o Brasil do império

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Em 16 de janeiro de 1905, foi publicada a primeira edição do clássico Dom Quixote, escrita por Miguel de Cervantes, em dois volumes em Madri, na Espanha. O título completo da obra em espanhol é El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha (O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha). Ela é considerada uma das grandes obras-primas da literatura mundial e uma das primeiras novelas modernas.

A trama gira em torno de um cavaleiro chamado Dom Quixote, que enlouquece de tanto ler romances de cavalaria e decide se tornar um cavaleiro andante, saindo em busca de aventuras e justiça. A escrita de Cervantes é notável por sua complexidade e profundidade. Ele incorpora uma mistura de sátira, comédia e elementos trágicos na narrativa. O personagem de Dom Quixote tornou-se icônico e é muitas vezes visto como uma representação da luta entre idealismo e realidade.

O desenvolvimento de literatura pode ser ligado diretamente ao desenvolvimento econômico da Espanha naquele momento. Os Lusíadas, de Camões, teve sua primeira edição publicada em 1572, ela pode ser considera fruto da Revolução de Avis, em Portugal, que levou às grandes navegações e revolucionou também toda a cultura. A Espanha, por sua vez, não passou por um momento revolucionário como Portugal, mas estava, sim, em seu auge na época de Cervantes. Ela chegou a dominar até mesmo a Holanda e o Brasil. O desenvolvimento econômico do país pode ser ligado diretamente a sua ampla produção cultural, não somente na literatura.

O sucesso da primeira parte de Dom Quixote levou à publicação de uma segunda parte em 1615, ampliando e continuando a história do cavaleiro e de seu fiel escudeiro Sancho Pança. Cervantes explorou ainda mais as complexidades do personagem principal e sua relação com a sociedade à sua volta. Dom Quixote é uma obra que transcende as fronteiras da literatura espanhola e é considerada uma obra-prima da literatura mundial. Suas reflexões sobre a natureza da realidade, da ficção e da loucura continuam a ser estudadas e apreciadas até os dias de hoje.

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LITERATURA NORTE-AMERICANA

19/1/1809: 215 anos de Edgar Allan Poe, o ‘Mago do Terror’

Poe perdeu seus pais muito cedo: sua mãe faleceu quando ele tinha apenas dois anos, e seu pai abandonou a família pouco depois

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Edgar Allan Poe foi um dos mais notáveis escritores norte-americanos do século XIX, nascido em Boston, Massachusetts, em 19 de janeiro de 1809. Sua vida foi marcada por tragédias, algo que foi retratado em suas obras góticas e macabras que o tornaram uma figura importante na literatura mundial.

Poe perdeu seus pais muito cedo: sua mãe faleceu quando ele tinha apenas dois anos, e seu pai abandonou a família pouco depois. Ele foi adotado pelos Allans, uma família abastada de Richmond, Virgínia, que o educou, mas com quem ele teve uma relação tumultuada ao longo dos anos.

A carreira literária de Poe começou em 1827, quando ele publicou seu primeiro livro de poemas, Tamerlane and Other Poems. No entanto, foi com contos como The Fall of the House of Usher e The Tell-Tale Heart que ele se destacou no gênero gótico e do conto macabro. Seu estilo literário único combinava elementos sombrios, melancolia e uma habilidade para criar atmosferas intensas.

Em 1835, Poe casou-se com sua prima Virginia Clemm, que tinha apenas 13 anos na época. A morte precoce de Virginia, em 1847, foi um golpe devastador para Poe, intensificando sua melancolia e afetando profundamente sua produção literária.

Poe também trabalhou como crítico literário e editor, contribuindo para diversas revistas e jornais da época. Sua crítica e suas opiniões polêmicas fizeram dele uma figura controversa, mas também uma voz relativamente respeitada no cenário literário.

Algumas de suas principais obras incluem:

“The Raven” (O Corvo) – Um poema narrativo que se tornou uma de suas obras mais famosas, explorando temas de luto e perda;

“The Tell-Tale Heart” (O Coração Delator) – Um conto macabro que examina a psique de um narrador perturbado, revelando sua crescente insanidade;

“The Fall of the House of Usher” (A Queda da Casa de Usher) – Um conto gótico que explora temas de decadência, isolamento e loucura;

“The Masque of the Red Death” (A Máscara da Morte Vermelha) – Uma história sobre a inevitabilidade da morte;

“Annabel Lee” – Um poema romântico que aborda o tema do amor eterno e da morte prematura;

“The Pit and the Pendulum” (A Cova e o Pêndulo) – Um conto que descreve os horrores enfrentados por um prisioneiro durante a Inquisição Espanhola;

“The Murders in the Rue Morgue” (Os Assassinatos da Rua Morgue) – Considerado o primeiro conto de detetive moderno, apresenta o personagem C. Auguste Dupin resolvendo um misterioso assassinato;

“Ligeia” – Um conto que explora temas de morte e ressurreição, com elementos sobrenaturais e misteriosos;

“The Black Cat” (O Gato Preto) – Um conto sobre culpa, loucura e a relação entre um homem e seu gato preto;

“The Cask of Amontillado” (O Barril de Amontillado) – Uma narrativa de vingança que culmina em um final surpreendente e sinistro;

Ao longo de sua vida, Poe enfrentou desafios financeiros e teve períodos de instabilidade emocional. Ele faleceu em circunstâncias misteriosas em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, em Baltimore. A causa exata de sua morte permanece incerta, alimentando especulações e teorias ao longo dos anos.

 

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‘História do Brasil’ – Afrânio Peixoto

"A História do Brasil ainda está para ser escrita

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Afrânio Peixoto publicou a sua História do Brasil em 1944, três anos antes de sua morte. Nascido no interior da Bahia, foi médico, deputado federal por seu estado natal e estudioso da cultura brasileira: de acordo com Pedro Calmon, outro grande historiador brasileiro, foi o nosso principal estudioso da obra de Camões e Castro Alves.

Na sua História do Brasil revela ser um discípulo de um dos nossos maiores historiadores: Capistrano de Abreu. E de fato, compartilhava alguns pontos de vistas comuns ao autor do Capítulos da História Colonial.

Por exemplo, foi um crítico das bandeiras paulistas, ao vê-las essencialmente como atividade fora da legalidade e desumana. Do ponto de vista institucional, estava correto: desde 1605, quando emergem as bandeiras, a Coroa proclama os índios como livres e em 1609 são os nativos equiparados aos colonos, tendo os jesuítas como curadores.

Obviamente, a crítica de Peixoto e de Capistrano em relação às bandeiras não guarda a mais pálida semelhança com iniciativas como a do ataque da estátua do Borba Gato promovida há dois anos pelo setor da esquerda vinculada às ONGs estrangeiras. O atual ataque à memória dos bandeirantes é antes de tudo um movimento de propaganda ideológica de destruição do patrimônio imaterial do Brasil: aniquilamento do passado e da nossa identidade como um primeiro passo para o aprofundamento da espoliação e saque das riquezas nacionais, materializadas principalmente na proposta de internacionalização da Amazônia e balcanização do país, conquanto foram as bandeiras que lançaram as bases da ocupação e consolidação das nossas fronteiras.

Peixoto não deixa de reconhecer a importância das bandeiras na configuração do nosso território e para a estruturação da nossa unidade linguística e cultural. Era, porém, simpático aos jesuítas que objetivamente se colocavam em oposição aos sertanistas, o que provavelmente explica a antipatia com os bandeirantes. Via as missões jesuíticas como um esteio da civilização não só dos índios, mas dos colonos de vida desregrada: compreendia, em todo o caso, a complexidade do problema e não deixou de reconhecer os méritos das entradas e bandeiras.

“Essas entradas e bandeiras para descer índios escravos e devassar o sertão em busca de minas, dão endereço ao Brasil colonial predador, agrário, criador e mineiro. Os objetivos saíram um dos outros e misturaram-se. Eles trouxeram a consequência da integração do país além do litoral possuído.

(…)

As entradas despovoadoras, captando o índio, deixavam estradas no deserto, para a civilização: evidentemente o manso processo colonizador dos Jesuítas, de José Bonifácio, do General Rondon, seria preferível: mas a violência dos bandeirantes tem justificações de Varnhagen, de Von Ihering e de todos os coloniais europeus com os povos bárbaros. Aliás, nem sempre eles, selvagens, têm a docilidade resignada. O mundo é dos capazes; é a lei de ferro da natureza e da civilização. O mesmo santo e doce Anchieta chegava à exasperação, para catequizar o índio: dizia que para este gênero de gente não há melhor pregação do que a espada e vara de ferros”. (pág. 108/109)

Vê-se, portanto, que é possível ter uma posição crítica sobre o problema das bandeiras sem, com isso, levar adiante uma campanha antinacional de destruição da memória brasileira.

Outro aspecto que faz esta História do Brasil estar a anos-luz de distância das mais recentes tendências historiográficas diz respeito à centralidade que o Autor dá ao português na constituição do Brasil, ao passo que hodiernamente tem sido o elemento lusitano basicamente desqualificado como um invasor inoportuno e um genocida de índios.

Os capítulos iniciais do ensaio de Peixoto tratam dos primeiros empreendimentos da navegação portuguesa desde 1415, quando da Tomada de Ceuta por Dom João I: o papel dos portugueses é o de derramar a cultura mediterrânea pelo mundo através da navegação, considerando o historiador que as comunicações são “a causa primeira da civilização: nestes contatos, a convivência multiplica ações e reações psicológicas, que se tornam experiências e colaborações inovadoras e afinam o homem em sentimento, inteligência, vontade, como fazem iniciativas, empresas e progresso social.” (pág. 6).

Gradualmente, os navegadores portugueses vão circunscrevendo o continente africano como meio alternativo de rota às Índias, o que se tornou necessário, particularmente depois da impossibilidade de prosseguimento da via tradicional pela tomada de Constantinopla pelos Turcos, em 1453.

Em 1444, Denis Dias atinge o Cabo Verde e no ano sequente Nuno Tristão descobre a Senegâmbia. Em 1469 dá-se a descoberta do golfo da Guiné. Em 1488, Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança. Finalmente, Vasco de Gama torna-se o primeiro europeu a atingir a Índia atravessando os oceanos Atlântico e Índico, quando chegou a Calicute, em 20 de maio de 1498, abrindo assim o caminho para as Índias. E, finalmente, em 22 de abril de 1500, numa quarta feira à tarde, Pedro Álvares Cabral avista o Brasil, atingindo o território onde hoje se situa a cidade de Porto Seguro/BA.

Afrânio Peixoto muito propriamente diz ser mais apropriado falar em “achamento” e não “descobrimento” do Brasil. O verbo achar remete à ideia de algo que sabemos existir, mas não sabemos exatamente onde a coisa está. E todas as evidências documentais revelam que antes de 1500 ao menos já se desconfiava da existência do território onde hoje se situa o Brasil.

A própria data da assinatura do Tratado de Tordesilhas, que se deu em 1494, reforça a tese. O tratado não só dividiu entre Portugal e Espanha as terras recém descobertas como “terras a se descobrir”. Fato curioso, e pouco ensinado na escola, é que a própria linha de demarcação, feita seis anos antes da expedição de Cabral, já envolve parte do território brasileiro, como se vê no mapa abaixo descrito:

Outra forte evidência do conhecimento do território antes da chegada de Cabral dá-se quando da expedição de Martim Afonso de 1530 para reconhecimento do território, exploração e defesa. Na expedição foram localizados portugueses degredados que possivelmente já aqui estavam antes de Pedro Álvares Cabral. Os mais conhecidos são João Ramalho, patriarca de São Paulo e Caramuru, o seu equivalente baiano, além do bacharel de Cananeia, todos eles possivelmente já estabelecidos aqui antes do 1500. Muito provavelmente, a expedição de Cabral seria o ato de consumação formal da tomada do território: é a certidão de nascimento ou o momento em que nasceu o Brasil oficialmente.

Afrânio Peixoto, ao prefaciar o seu livro, diz ainda não haver, em meados do século XX, uma efetiva História do Brasil. Ele fala em meio milhão de documentos, no arquivo Colonial, em Lisboa, à espera dos pesquisadores.

O que tínhamos até então, segundo o intelectual baiano, são “ensaios” subscritos por aqueles que até hoje melhor escreveram a nossa história: desde Varnhagen, passando por Capistrano de Abreu, Afonso de Taunay, Pedro Calmon e, na história econômica, Simonsen.

Quando se coteja esses grandes pensadores do Brasil com o que tem sido produzido e divulgado em termos de História do Brasil atualmente, temos que concordar com essa tese: a História do Brasil ainda está para ser escrita.

 

https://causaoperaria.org.br/2024/historia-do-brasil-afranio-peixoto/

 

 

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